Vento de 82,7 km/h destelha escola, derruba árvores e para a Stock Car: o rastro do temporal no Vale do Rio Pardo
Temporal de quinta deixou destelhamentos, árvores caídas e falta de energia no Vale do Rio Pardo. Stock Car suspendeu atividades na manhã desta sexta.
O temporal que atingiu o Vale do Rio Pardo na noite desta quinta-feira, 6, deixou um rastro espalhado por vários municípios: destelhamentos, quedas de árvores e de postes, interrupção no fornecimento de energia e transtornos no trânsito. Equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil trabalharam durante a noite para atender às ocorrências.
As rajadas mais intensas foram registradas em Venâncio Aires, onde o vento chegou a 82,7 km/h. Em Santa Cruz do Sul, a maior rajada medida foi de 62,3 km/h; em Sinimbu, de 60,5 km/h. Também houve relatos de queda de granizo em alguns pontos da região.
Onde os estragos apareceram
Em Santa Cruz do Sul, o vento derrubou galhos de tipuanas na Rua Marechal Floriano, no Centro, bloqueando o trânsito. Perto da rótula do 2001, na Avenida Independência, um poste caiu com a força da ventania. O Corpo de Bombeiros do município registrou ainda a queda de três árvores nas localidades de Rio Pardinho, Linha Santa Cruz e Bom Jesus.
No Túnel Verde, na ERS-409, entre Santa Cruz do Sul e Vera Cruz, árvores derrubadas prejudicaram a circulação de veículos — um trecho que já é sensível a esse tipo de evento pela própria arborização que lhe dá nome. Levantamentos posteriores apontaram pelo menos dez pontos com danos apenas em Santa Cruz.
Em Rio Pardo, a ventania provocou destelhamentos em residências e no Colégio Estadual Barro Vermelho, no Bairro Ramiz Galvão. Diversas localidades do Vale ficaram sem energia elétrica em razão dos danos.
Em Venâncio Aires, o temporal chegou a interromper a partida entre Guarani e Brasil de Pelotas, válida pela Divisão de Acesso do Campeonato Gaúcho.
A Stock Car perdeu a manhã de sexta
O impacto mais visível para além dos danos residenciais aconteceu no Autódromo Internacional de Santa Cruz do Sul, que recebe a etapa da Stock Car neste fim de semana. No início da noite de quinta, ventos fortes atingiram a região do circuito e danificaram estruturas temporárias montadas para o evento.
O Grupo Veloci, promotor da competição, anunciou a suspensão das atividades no autódromo até o meio-dia desta sexta-feira, 7, para os trabalhos de recuperação, com retomada prevista para a tarde. Durante o período de reparos, por segurança, não foi permitida a entrada de pessoas não autorizadas.
Ficaram fora da programação da manhã dois treinos oficiais da categoria Turismo Nacional, além do Shakedown e do primeiro treino livre da Bradesco Stock Pro Series. O restante da programação do fim de semana segue mantido.
Antes da chegada do temporal, a organização e a Prefeitura já haviam evacuado do local os profissionais não essenciais e adotado medidas de contenção. Não houve feridos. Os danos materiais foram avaliados pelos responsáveis, e as medidas de reparação começaram ainda na noite de quinta.
A semana que preparou o terreno
O temporal não foi um evento isolado. A primeira semana de agosto no Vale do Rio Pardo combinou calor acima dos 30 graus com períodos de instabilidade, num padrão que a meteorologia regional já vinha sinalizando: aquecimento, acúmulo de umidade e, na sequência, a entrada de uma frente fria capaz de provocar precipitação mais generalizada, chuva localmente forte e tempestades isoladas.
Essa sequência é justamente a que produz rajadas destrutivas. O contraste térmico entre a massa quente que estava sobre a região e o ar frio que avança pelo Sul gera as correntes descendentes responsáveis pelos ventos de linha de instabilidade — o tipo de vento que derruba árvore de porte e arranca telha sem que chova muito.
O solo também estava trabalhando contra. Semanas de chuva irregular deixam o terreno encharcado, e árvore de raiz superficial em solo saturado cede com rajada bem menor do que resistiria em terreno seco. É por isso que as tipuanas do Centro de Santa Cruz e o Túnel Verde aparecem repetidamente nesse tipo de ocorrência: são arborizações antigas, de porte alto, em solo urbano compactado.
A Defesa Civil estadual vinha mantendo alerta para municípios do Vale ao longo da semana e atualizou o prognóstico hidrológico para o Rio Grande do Sul, com atenção especial para a porção sul da região.
O que fazer quando o vento derruba a rede
Alguns cuidados básicos evitam que o prejuízo material vire acidente grave nas horas seguintes a um temporal:
- Não encoste em fios caídos nem tente removê-los, mesmo que pareçam desligados. Isole a área e acione a concessionária de energia.
- Mantenha distância de árvores parcialmente tombadas. Galhos que resistiram à rajada podem ceder depois, com o solo encharcado.
- Cuidado com telhas soltas. Peças deslocadas continuam caindo com vento fraco; evite circular perto de beirais danificados.
- Registre os danos em fotos antes de qualquer reparo, caso haja seguro ou pedido de auxílio junto à Defesa Civil municipal.
- Em caso de destelhamento, o contato é com a Defesa Civil do município. Para ocorrências com risco imediato — árvore sobre a via, poste caído, princípio de incêndio —, acione os Bombeiros pelo 193.
O que vem pela frente
A Defesa Civil estadual vinha mantendo alerta para cidades do Vale do Rio Pardo ao longo da semana, em um período marcado por calor acima dos 30 graus seguido de instabilidade e da entrada de uma frente fria. A combinação de solo úmido com rajadas fortes é justamente o cenário que derruba árvores de porte, e o Vale conhece bem esse padrão.
Os órgãos de emergência seguem contabilizando os prejuízos. Moradores que tiverem danos estruturais devem procurar a Defesa Civil do próprio município para registro.
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