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Solidão conectada: por que tantos jovens sentem que as redes sociais pioram a saúde mental

Estar conectado 24h por dia e ainda assim sentir solidão profunda. Esse paradoxo afeta milhões de jovens no Brasil. Entenda o que a psicanálise diz sobre esse fenômeno.

RSRedação Santa Cruz FM18 de junho de 2026 · 4 min de leitura
Solidão conectada: por que tantos jovens sentem que as redes sociais pioram a saúde mental

Solidão conectada: por que tantos jovens sentem que as redes sociais pioram a saúde mental

Um fenômeno chamou a atenção de pesquisadores, pais e profissionais de saúde nos últimos anos: enquanto os jovens nunca estiveram tão conectados entre si — via Instagram, TikTok, WhatsApp, Discord e dezenas de outras plataformas —, os índices de solidão, ansiedade e depressão nessa faixa etária não param de crescer.

O paradoxo tem nome: solidão conectada. E ele está no centro de um debate que vai das pesquisas acadêmicas até os consultórios de psicanalistas.

Os dados que assustam

Um relatório do surgeon general dos Estados Unidos, publicado em 2023, classificou a solidão entre jovens como uma epidemia de saúde pública. No Brasil, o cenário é semelhante. Pesquisa do Instituto Cactus realizada em 2023 mostrou que 54% dos brasileiros entre 18 e 24 anos relatam sentir solidão «frequentemente» ou «sempre» — mesmo sendo a geração mais conectada da história.

O uso de redes sociais por adolescentes está associado, segundo múltiplos estudos, a maior risco de ansiedade, depressão, distorção de imagem corporal e comparação social. Uma metanálise publicada na revista JAMA Pediatrics concluiu que o uso de redes sociais por mais de três horas diárias dobra o risco de sintomas depressivos em adolescentes.

No Brasil, dados do Ibope e da Comscore apontam que jovens entre 16 e 24 anos passam, em média, mais de seis horas por dia em plataformas digitais — o dobro do limiar identificado como de risco nos estudos.

O que explica o paradoxo?

A resposta intuitiva — «as redes sociais são ruins, é só desligar» — não dá conta da complexidade do fenômeno. Os jovens que mais sofrem não são necessariamente os que mais usam as redes. E a tecnologia em si não é a causa: ela é o contexto em que algo mais profundo emerge.

A psicanálise oferece uma leitura diferente. Para essa abordagem, o sofrimento não está nas plataformas, mas no que elas ativam no sujeito: a comparação constante, o desejo de reconhecimento, a dificuldade de suportar a solidão, o medo do vazio.

«As redes sociais não criam o vazio — elas o revelam», explica Diogo Caspary, psicanalista online. «O jovem que entra em colapso ao perder seguidores ou ao ver a vida dos outros não está sofrendo por causa da tecnologia. Está sofrendo porque ainda não encontrou uma âncora interna — um sentido, uma identidade — que não dependa do olhar do outro para existir.»

Esse ponto é central na psicanálise: o sofrimento psíquico tem raízes na estrutura subjetiva de cada um, e as redes sociais funcionam como um espelho que amplifica o que já estava lá.

A armadilha da conexão superficial

Há outro fator que os pesquisadores identificam: a qualidade da conexão importa tanto quanto a quantidade. Trocar mensagens rápidas, curtir fotos e assistir a vídeos não satisfaz a necessidade humana de ser visto, ouvido e compreendido em profundidade.

As redes sociais oferecem conexão rasa em quantidade ilimitada. Mas não oferecem a experiência de uma conversa que realmente importa, de uma amizade que sobrevive ao tempo, de um vínculo que não exige performance constante. E é exatamente esse tipo de experiência que se torna raro quando a vida migra para os feeds.

O fenômeno tem nome no vocabulário psi: solitude involuntária. É diferente da solidão escolhida — aquela que a pessoa usa para se reconectar consigo mesma. A solidão conectada é a que acontece no meio do barulho, entre notificações e stories, quando o sujeito percebe que está lá mas ninguém está de fato vendo quem ele é.

A resposta da psicanálise

A psicanálise não prescreve desintoxicação digital como solução. O trabalho psicanalítico parte de outro lugar: da escuta do que o sujeito está buscando quando entra compulsivamente nas redes, do que sente quando sai delas, do que o vazio que aparece entre um scroll e outro está dizendo.

«Quando alguém chega ao atendimento relatando que passa horas no celular e ainda assim se sente vazio, isso é um sinal importante», diz Caspary. «Esse vazio precisa de escuta, não de bloqueio de aplicativo. A pergunta não é como parar de usar as redes — é o que as redes estão tampando.»

Essa perspectiva tem atraído jovens que já tentaram limitar o tempo de tela por conta própria e perceberam que o problema voltava de outras formas. A psicanálise online, nesse contexto, tem uma ironia própria: o mesmo meio digital que contribui para o sofrimento pode ser o canal por onde o sujeito encontra ajuda.

Como começar

Para jovens em Santa Cruz do Sul e região que se identificam com esse cenário — sensação de vazio, ansiedade ao ficar sem celular, dificuldade de conexão real com outras pessoas, isolamento disfarçado de hiperconectividade —, o atendimento psicanalítico online pode ser um primeiro passo.

O atendimento psicanalítico online com Diogo Caspary é uma das alternativas disponíveis para quem quer ir além do sintoma e entender o que está por trás do sofrimento. Sem sair de casa, com horários flexíveis, e com o mesmo rigor clínico do consultório presencial.

A solidão conectada tem tratamento. Mas ele começa quando alguém para de rolar o feed e decide, enfim, ser ouvido de verdade.

RS
Redação Santa Cruz FM

Santa Cruz FM — jornalismo de Santa Cruz do Sul, região e Brasil, com curadoria e revisão humana.

Perguntas frequentes

Redes sociais causam depressão nos jovens?

Estudos mostram associação entre uso intenso de redes sociais e maior risco de sintomas depressivos, mas a relação não é de causalidade direta. O sofrimento depende da estrutura subjetiva de cada pessoa e de como ela usa as plataformas.

A psicanálise pode ajudar quem sofre com uso compulsivo de redes sociais?

Sim. A psicanálise não foca no comportamento em si, mas no que está por trás dele — a busca por reconhecimento, o medo da solidão, a dificuldade de lidar com o vazio. Esse trabalho pode trazer mudanças mais duradouras do que estratégias de bloqueio ou limitação de tempo de tela.

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