Rio Pardo decreta emergência após o temporal: cerca de 200 atendimentos, escola destelhada e parte do hospital isolada
Decreto assinado pelo prefeito Rogério Monteiro sai nesta segunda. A Escola Barro Vermelho perdeu o telhado e parte do Hospital Regional foi isolada.
Foram cerca de cinco minutos de vento no início da noite de quinta-feira, 6. O suficiente para arrancar o telhado de uma escola estadual, obrigar a Defesa Civil a isolar parte de um hospital regional e gerar cerca de 200 pedidos de atendimento à Prefeitura de Rio Pardo.
Diante do estrago, o prefeito Rogério Monteiro assinou o decreto de emergência, que deve ser publicado no Diário Oficial nesta segunda-feira, 10. O cálculo do prejuízo total ainda não foi fechado.
O que o temporal atingiu
Os danos mais graves recaíram sobre duas estruturas públicas — e as duas são justamente aquelas de que a população mais depende.
Na Escola Estadual Barro Vermelho, no Bairro Ramiz Galvão, o vento arrancou o telhado. As folhas de zinco foram arremessadas contra uma árvore, que impediu que atingissem residências vizinhas; parte cobriu a parada de ônibus em frente à escola, e telhas foram encontradas em outras ruas. Havia alunos dentro da estrutura, aguardando o início da aula, e eles permaneceram no local até que a corrente elétrica dos fios caídos no pátio fosse desligada.
Segundo informações extraoficiais, a direção deve migrar as aulas para o formato on-line nos próximos dias. O setor de Obras da Secretaria de Educação vai avaliar os prejuízos para definir a reconstrução da cobertura.
No Hospital Regional do Vale do Rio Pardo, os danos à estrutura levaram a Defesa Civil a isolar parte da unidade.
Como a saúde se reorganizou
É a parte mais sensível e a que mais afeta o morador comum, porque redesenha o caminho de quem precisa de atendimento agora.
A casa de saúde firmou parceria com o Município e deslocou parte da equipe para a unidade do Bairro Fortaleza, que passou a operar 24 horas. O posto absorve o atendimento de urgência e emergência e encaminha ao hospital os procedimentos de maior complexidade, mantendo uma ambulância de prontidão no local.
Para as gestantes, o fluxo mudou: passam por triagem na casa de saúde e seguem para Santa Cruz do Sul quando necessário. Vale ter isso claro antes de precisar — em situação de urgência, saber para onde ir economiza tempo que costuma ser decisivo.
"Em 43 anos nunca vi isso"
Vizinha da escola, na Avenida dos Ferroviários, Liris Reimann acompanhou tudo do outro lado da rua. O barulho das folhas de zinco sendo arrancadas do telhado marcou os poucos minutos de vento intenso. A casa dela e a de um vizinho também foram atingidas — telhas das garagens arrancadas, sem danos maiores e sem feridos.
"Foram cinco minutos de vento. Em 43 anos que moro aqui nunca vi isso", relatou ao jornal Gazeta do Sul.
Não houve registro de feridos nas ocorrências atendidas.
O que muda com o decreto de emergência
Decreto de emergência não é gesto simbólico nem admissão de fracasso da prefeitura. É um instrumento administrativo com efeitos práticos bem definidos, e vale entender quais são — porque é isso que determina a velocidade da reconstrução.
Destrava recursos. É o decreto que permite ao Município pleitear verbas estaduais e federais para socorro, assistência às vítimas e restabelecimento de serviços essenciais. Sem o ato formal, o pedido não tem base legal.
Acelera contratações. A legislação brasileira admite dispensa de licitação para ações de resposta a desastre enquanto durar a situação reconhecida. Na prática, é o que permite contratar em dias o conserto de um telhado que pelo rito normal levaria meses.
Prioriza o essencial. O decreto autoriza a administração a concentrar equipes e orçamento em socorro e restabelecimento, deslocando o que for preciso de outras frentes.
O reconhecimento pelos governos estadual e federal é etapa seguinte e separada, feita mediante envio de documentação com o levantamento dos danos. É por isso que o cálculo do prejuízo, ainda em andamento, não é burocracia: é ele que sustenta o pedido.
O que fazer se você foi atingido
Quem teve a casa danificada deve registrar a ocorrência junto à Defesa Civil ou à Prefeitura, mesmo que o dano pareça pequeno e mesmo que já tenha resolvido por conta própria. Há duas razões concretas para isso.
A primeira é individual: o registro é o que habilita o morador a eventuais programas de auxílio material. A segunda é coletiva — o levantamento de danos é a base do pedido de reconhecimento e de recursos. Uma casa não registrada é uma casa que não existe na conta que o Município vai apresentar.
Vale fotografar os danos antes de qualquer reparo, guardar notas de material comprado às pressas e anotar a data. Para quem tem seguro residencial, o mesmo conjunto serve para o aviso de sinistro, que costuma ter prazo curto.
O que ainda está aberto
Três frentes seguem em andamento: o cálculo do prejuízo total, a definição do cronograma de reconstrução do telhado da Escola Barro Vermelho e a liberação das áreas isoladas do Hospital Regional. Enquanto isso não se resolve, valem os fluxos provisórios — unidade do Bairro Fortaleza 24 horas para urgência e encaminhamento das gestantes via triagem na casa de saúde.
Para as famílias da Barro Vermelho, a pendência mais imediata é o calendário escolar. A migração para o formato on-line, ainda tratada como informação extraoficial, depende de confirmação da direção e da Secretaria de Educação, e é a definição que as famílias precisam acompanhar nos próximos dias — inclusive para organizar quem fica com as crianças em casa durante o expediente.
Rio Pardo é a segunda cidade do Vale do Rio Pardo a contabilizar estragos relevantes desta frente de mau tempo, que na semana passada já havia deixado rastro de destelhamentos, quedas de árvores e falta de energia na região.