Rio Pardinho passa da cota, sirene toca na Várzea e cinco cidades do Vale vão decretar emergência
Rio Pardinho chegou a 7,62 m na Várzea nesta quarta; sirene acionada, remoção preventiva no Corredor Morsch e cinco cidades do Vale rumo ao decreto.
O nível do Rio Pardinho voltou a subir durante a madrugada desta quarta-feira, 29 de julho, em Santa Cruz do Sul, e passou da cota de inundação. Pela régua instalada na região de Navegantes, no Bairro Várzea, a altura marcava cerca de 7,62 metros por volta das 6h45. A Prefeitura acionou o Plano de Contingência (Plancon), tocou a sirene de alerta no Várzea para evacuação preventiva e começou a retirar moradores de áreas de risco no Corredor Morsch.
Até o início da manhã, a água ainda não havia atingido residências.
A subida hora a hora
O rio tinha se estabilizado na tarde de terça-feira, 28, mas voltou a ganhar volume assim que virou o dia. A sequência registrada na régua de Navegantes:
- Meia-noite — 7,22 metros
- 1h — 7,34 metros
- 2h30 — 7,50 metros
- 6h45 — cerca de 7,62 metros
A leitura importa porque a cota de inundação é o ponto a partir do qual a água deixa a calha do rio e começa a ocupar áreas habitadas. Passar da cota não significa, por si só, que casas foram alagadas — significa que o rio saiu do seu leito normal e que a margem de segurança acabou.
O que a Defesa Civil de Santa Cruz acionou
O coordenador da Defesa Civil e secretário municipal de Segurança e Trânsito, Reginaldo Brito de Campos, afirmou que a expectativa era de elevação até a metade da manhã, com estabilização em seguida — desde que não voltasse a chover na cabeceira.
"A tendência, se não chover mais naquelas regiões de Herveiras e Sinimbu, nós vamos ter uma redução gradativa. Em torno das 10 horas da manhã, vai começar a vir uma redução das águas, e consequentemente a situação já vai normalizar no Bairro Várzea", disse.
Ele acrescentou que, até aquele momento, não havia registro de problema na Várzea, e que a água tinha conseguido fluir.
Esse é um ponto que costuma passar batido: o Pardinho não responde à chuva que cai em Santa Cruz, e sim à que cai rio acima. Por isso o monitoramento de Herveiras e Sinimbu vale mais, para prever o pico, do que olhar o céu pela janela na Várzea.
De onde veio a chuva
A subida desta madrugada não foi um evento isolado. Ela fecha uma sequência que começou ainda na semana passada, com chuva persistente sobre o Vale, e ganhou força no início desta semana.
Um alerta de instabilidade já havia sido emitido para Santa Cruz do Sul e o Vale do Rio Pardo, apontando risco de temporais entre a noite de terça-feira, 28, e a manhã desta quarta-feira, 29. A configuração descrita era a combinação de uma área de baixa pressão com uma atmosfera muito instável — o arranjo clássico para chuva concentrada em pouco tempo, com potencial de rajadas de vento e granizo.
O problema, em bacias como a do Pardinho, quase nunca é o volume total acumulado no mês. É a taxa: 60 milímetros distribuídos ao longo de uma semana o solo absorve; os mesmos 60 milímetros em três horas o solo devolve inteiros para o rio. Foi esse padrão que se repetiu no estado nos últimos dias, e é ele que explica por que o nível voltou a subir mesmo depois de ter se estabilizado na tarde anterior.
Cinco cidades da região a caminho do decreto de emergência
Em decorrência das condições climáticas no Vale do Rio Pardo, cinco municípios iniciaram o processo para decretar situação de emergência: Arroio do Tigre, Boqueirão do Leão, General Câmara, Passa Sete e Segredo.
Segundo o adjunto da 8ª Coordenadoria Regional de Proteção e Defesa Civil, tenente-coronel Fabrício Broll Zago, as equipes estão prestando apoio técnico aos municípios, com vistorias nas áreas afetadas e orientação às administrações municipais na instrução dos processos — que precisam de homologação estadual e, depois, de reconhecimento federal.
O decreto não é burocracia vazia. É ele que destrava o acesso a recursos estaduais e federais, permite dispensa de licitação para compras emergenciais e organiza o repasse de ajuda humanitária. O caminho tem três degraus: o município decreta, o Estado homologa, a União reconhece.
O quadro no Rio Grande do Sul
Os temporais que atingiram o estado entre segunda-feira, 27, e terça-feira, 28, provocaram estragos em pelo menos 43 municípios, conforme boletim divulgado no início da noite de terça pela Defesa Civil Estadual. Foram 13 prefeituras que notificaram problemas apenas desde a atualização da manhã.
Os registros incluem alagamentos, destelhamentos, quedas de árvores e postes, interrupções no fornecimento de energia elétrica, deslizamentos de terra, bloqueios de rodovias e danos provocados por granizo.
Entre as ocorrências mais graves:
- Cachoeira do Sul — a elevação do Rio Jacuí deixou pessoas desabrigadas, outras 22 desalojadas e comunidades isoladas.
- Não-Me-Toque — cerca de 200 residências atingidas e 30 pessoas desalojadas.
- Colorado — quatro moradores precisaram deixar suas casas.
A diferença entre os dois termos costuma confundir: desalojado é quem sai de casa mas tem para onde ir (parentes, vizinhos); desabrigado é quem depende de abrigo público.
O que fazer se a água chegar perto
Algumas orientações básicas, que a Defesa Civil repete a cada evento e que valem para qualquer morador de área de risco:
- Ao ouvir a sirene, saia. O alerta sonoro no Várzea é acionado para evacuação preventiva — ou seja, antes de a água chegar, não depois.
- Prepare um kit antes. Documentos em saco plástico, remédios de uso contínuo, carregador de celular, água e uma muda de roupa.
- Desligue a energia no quadro geral antes de deixar a casa, se der tempo e for seguro chegar até ele.
- Não atravesse trecho alagado, a pé ou de carro. Meio metro de água em movimento já arrasta um veículo, e não dá para ver o que sumiu do asfalto embaixo dela.
- Registre o prejuízo. Fotos e vídeos com data ajudam na vistoria da Defesa Civil e no processo do decreto.
- Confira a fonte antes de repassar. Em cheia, áudio de WhatsApp com "informação de dentro da prefeitura" circula mais rápido que boletim oficial — e quase sempre está errado sobre a altura do rio.
A recomendação da Defesa Civil municipal é acompanhar os boletins oficiais ao longo do dia, já que a tendência de queda depende inteiramente do que acontecer com a chuva na cabeceira.
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Perguntas frequentes
O que é a cota de inundação do Rio Pardinho?
É a altura a partir da qual o rio deixa de caber na sua calha e passa a ocupar áreas próximas, incluindo as habitadas. Ultrapassar a cota não significa que casas já foram alagadas — significa que a margem de segurança acabou e que o monitoramento passa a ser contínuo.
O que é o Plancon acionado pela Prefeitura?
Plancon é o Plano de Contingência municipal. Ao ser ativado, ele organiza a resposta: coloca as equipes da Defesa Civil em prontidão, define os pontos de monitoramento, autoriza o acionamento das sirenes e organiza a remoção preventiva de moradores em áreas de risco.
O que fazer ao ouvir a sirene de alerta no Bairro Várzea?
Sair. A sirene é acionada para evacuação preventiva, ou seja, antes de a água chegar. Leve documentos, remédios de uso contínuo e o celular com carregador, desligue a energia no quadro geral se for seguro e dirija-se ao ponto de apoio indicado pela Defesa Civil.
Qual a diferença entre desalojado e desabrigado?
Desalojado é quem precisou deixar a residência mas tem para onde ir, geralmente casa de parentes ou vizinhos. Desabrigado é quem não tem alternativa e depende de abrigo público providenciado pelo poder municipal.
Para que serve o decreto de situação de emergência?
Ele destrava recursos estaduais e federais, permite dispensa de licitação para compras emergenciais e organiza o repasse de ajuda humanitária. O trâmite tem três etapas: o município decreta, o Estado homologa e a União reconhece.