Sobretaxa de 12,5% dos EUA atinge tabaco brasileiro e ameaça economia de Santa Cruz do Sul
Nova tarifa de 12,5% sobre tabaco brasileiro imposta pelos EUA pode devastar a economia de Santa Cruz do Sul. Entenda o impacto e as consequências.
O governo dos Estados Unidos impôs uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, incluindo o tabaco, a partir da madrugada desta quinta-feira (24 de janeiro de 2026). A medida, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, se soma à tarifa de 25% que já estava em vigor desde 22 de janeiro. A sobretaxa sobre o tabaco brasileiro tem impacto direto em Santa Cruz do Sul, polo mundial da cadeia produtiva do tabaco, e ameaça a economia local com perdas milionárias e possíveis cortes de empregos.
A decisão foi anunciada pelo governo do presidente Donald Trump após uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O órgão analisou a relação comercial de países que importaram produtos associados ao trabalho forçado entre 2021 e 2025. Além do tabaco, a nova lista atinge mais de 60 economias e inclui itens como alumínio, algodão, eletrônicos e baterias de lítio. O governo brasileiro criticou a decisão e defendeu reciprocidade nas relações comerciais.
Impacto em Santa Cruz do Sul: US$ 55,6 milhões em risco
Santa Cruz do Sul é um dos principais polos mundiais da cadeia produtiva do tabaco. O tabaco responde por quase nove em cada dez dólares exportados pelo município. No primeiro semestre de 2026, os Estados Unidos representaram cerca de 9% das exportações locais, o que equivale a aproximadamente US$ 55,6 milhões. Agora, com a tarifa adicional, a indústria estima uma perda de receita de US$ 88 milhões nos embarques de fumo brasileiro para o mercado americano no mesmo período.
A tarifa de 12,5% sobre o tabaco brasileiro já gerou apreensão entre produtores e empresários da região. A Seção 301 permite que os EUA imponham tarifas em resposta a práticas comerciais consideradas injustas. “O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que o país decidiu adotar uma postura mais rígida para fazer cumprir a legislação que proíbe a importação de produtos produzidos com trabalho forçado”, informou o governo americano em nota.
Perda estimada de US$ 88 milhões e redução de empregos
A indústria tabaqueira local já calcula os prejuízos. A exportação de tabaco do Vale do Rio Pardo deve sofrer uma redução significativa. A perda de US$ 88 milhões nos embarques para os EUA no primeiro semestre de 2026 pode levar a cortes de postos de trabalho. O setor projeta uma possível redução de 10% nos postos diretos de trabalho na região fumicultora.
Santa Cruz do Sul e o Vale do Rio Pardo abrigam grandes processadoras de tabaco, cooperativas e milhares de famílias de agricultores. O impacto do tabaco em Santa Cruz do Sul não se limita às indústrias: atinge toda a cadeia logística, desde o transporte até os serviços de apoio.
Reação do governo brasileiro e defesa do setor
O governo brasileiro criticou a decisão dos EUA e já sinalizou que levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC). A alegação de trabalho forçado é veementemente negada pelo setor produtivo.
Enquanto isso, entidades do setor buscam diversificar mercados. A Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) e o Sindicato da Indústria do Tabaco (Sinditabaco) já iniciaram negociações com compradores na Ásia e na Europa para reduzir a dependência dos EUA.
Lista de produtos brasileiros atingidos pela tarifa de 12,5%
A nova lista de tarifas dos EUA inclui diversos itens brasileiros. Confira os principais:
- Tabaco
- Alumínio
- Algodão
- Eletrônicos
- Baterias de lítio
A medida atinge mais de 60 economias, com diferentes níveis de tarifas. O Brasil, como maior exportador mundial de tabaco, é um dos países mais afetados.
Histórico da Seção 301 e acusações de trabalho forçado
A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 permite ao governo dos EUA impor tarifas em resposta a práticas comerciais consideradas injustas. A investigação do USTR analisou o período de 2021 a 2025. O governo americano afirma que a postura mais rígida visa fazer cumprir a legislação que proíbe a importação de produtos produzidos com trabalho forçado.
Produtores brasileiros contestam as acusações. A fumicultura no Brasil é altamente regulamentada, com fiscalização trabalhista e ambiental. O setor argumenta que as alegações são infundadas e que a medida visa proteger a indústria americana, que enfrenta concorrência do tabaco brasileiro.
O futuro da fumicultura no Vale do Rio Pardo
A diversificação de culturas e a busca por novos mercados são apontadas como saídas de longo prazo para o Vale do Rio Pardo. A região agora precisa lidar com a sobretaxa americana. Entidades do setor já iniciaram negociações com compradores na Indonésia e no Egito.
Apesar do cenário adverso, a qualidade do tabaco brasileiro segue reconhecida mundialmente. O Brasil é o maior exportador global de tabaco, e Santa Cruz do Sul é o coração dessa cadeia produtiva. A perda de US$ 88 milhões em embarques para os EUA no primeiro semestre de 2026, no entanto, é um golpe duro para a economia local.
Possível redução de 10% nos empregos diretos
A indústria estima que a sobretaxa pode levar a uma redução de 10% nos postos diretos de trabalho na região fumicultora. Isso significa milhares de famílias afetadas em Santa Cruz do Sul e cidades vizinhas, como Vera Cruz, Venâncio Aires e Rio Pardo.
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Perguntas frequentes
O que é a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974? É uma lei americana que permite ao governo dos EUA impor tarifas em resposta a práticas comerciais consideradas injustas. Foi usada para taxar produtos chineses em 2020 e agora é aplicada ao tabaco brasileiro.
Por que os EUA impuseram a sobretaxa sobre o tabaco brasileiro? O governo americano alega que o tabaco brasileiro é produzido com trabalho forçado, com base em uma investigação do USTR que analisou o período de 2021 a 2025. O setor brasileiro nega as acusações.
Qual é o impacto da tarifa de 12,5% para Santa Cruz do Sul? A tarifa adicional, somada aos 25% já vigentes, deve gerar uma perda de US$ 88 milhões nos embarques de fumo para os EUA no primeiro semestre de 2026. A indústria estima uma possível redução de 10% nos empregos diretos na região.
O que o governo brasileiro está fazendo para reverter a medida? O governo brasileiro criticou a decisão e defendeu reciprocidade nas relações comerciais. Estuda levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC) e pode aplicar retaliações comerciais.
A sobretaxa afeta apenas o tabaco? Não. A lista inclui alumínio, algodão, eletrônicos e baterias de lítio, entre outros produtos brasileiros. Mais de 60 economias foram atingidas pela nova lista de tarifas.