Santa Cruz FM
SCSanta CruzFM · Notícias
Política

Manuela d'Ávila lidera disputa pelo Senado no RS: o que diz a pesquisa e como fica Santa Cruz do Sul

Manuela d'Ávila lidera disputa pelo Senado no RS, aponta pesquisa. Veja números e como fica Santa Cruz do Sul. Leia mais!

RSRedação Santa Cruz FM21 de agosto de 2026 · 8 min de leitura
Manuela d'Ávila lidera disputa pelo Senado no RS: o que diz a pesquisa e como fica Santa Cruz do Sul

A corrida para o Senado no Rio Grande do Sul ganhou um novo capítulo na sexta-feira, 21 de agosto, com a divulgação da pesquisa Paraná Pesquisas. O levantamento coloca Manuela d'Ávila na liderança e serve de termômetro para as estratégias dos partidos. Para Santa Cruz do Sul e o Vale do Rio Pardo, o resultado acende um alerta: a região pode ser decisiva na definição das duas vagas.

Enquanto Manuela lidera com 33,6% das intenções de voto, a segunda cadeira está completamente aberta. O empate técnico entre três candidatos transforma a escolha do eleitor local em algo além do nome. Será uma decisão sobre o perfil de representação que a região terá em Brasília.

O que mostrou a pesquisa Paraná Pesquisas para o Senado no RS?

No cenário estimulado, Manuela d'Ávila (Psol) aparece com 33,6% das intenções de voto. A ex-deputada federal e ex-candidata ao governo do estado abriu uma vantagem de quase sete pontos percentuais sobre o segundo colocado. O número reflete a visibilidade construída nos últimos anos, tanto em campanhas proporcionais quanto majoritárias.

O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número RS-03898/2026 e ouviu 1.504 eleitores em 67 municípios gaúchos, entre os dias 18 e 20 de agosto. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais, com grau de confiança de 95%. O estudo foi custeado pelo PL, partido que não tem candidato citado no levantamento — um sinal claro de interesse estratégico em mapear o eleitorado para futuras alianças.

No cenário espontâneo, quando o eleitor cita um nome sem receber opções, Manuela também aparece na frente. Isso indica que a vantagem não vem apenas da lembrança induzida, mas de um reconhecimento real do eleitorado gaúcho.

Como está a disputa pela segunda vaga ao Senado?

Se a liderança de Manuela parece consolidada, a briga pela segunda vaga é um quebra-cabeça. Marcel van Hattem (Novo) aparece com 26,9%, seguido por Rigotto (MDB) com 24,3% e Pimenta (PT) com 22,5%. Os três estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro.

Esse cenário indica que a segunda cadeira está longe de ter um dono. A indefinição abre espaço para que fatores regionais façam a diferença. Em Santa Cruz do Sul, a disputa é particularmente relevante, já que cada candidato tenta se diferenciar em temas que tocam a realidade local.

  • Marcel van Hattem aposta na pauta liberal, com ênfase em redução de impostos e desburocratização — temas que agradam o setor produtivo.
  • Rigotto usa a experiência de ex-governador e a capilaridade do MDB no interior para tentar converter apoio em votos.
  • Pimenta busca o eleitorado alinhado ao governo federal, com foco em políticas sociais e fortalecimento da máquina pública.

A diferença entre eles é mínima. Qualquer movimento — uma aliança local ou uma pauta que ressoe com o eleitorado regional — pode desequilibrar a balança. Aliás, a força do interior já se mostrou importante no cenário estadual, como na recente liderança de Santa Cruz na geração de empregos no RS, um dado que os candidatos devem observar de perto.

O que esse cenário significa para Santa Cruz do Sul e o Vale do Rio Pardo?

Santa Cruz do Sul, polo do tabaco e com forte presença do agronegócio, é um termômetro importante para a eleição ao Senado. A cidade tem cerca de 130 mil habitantes e um eleitorado que oscila entre o conservadorismo do setor rural e uma classe média urbana conectada a pautas nacionais. Essa dualidade faz da região um campo de batalha.

Manuela d'Ávila tem histórico de votação expressiva na cidade, especialmente em eleições proporcionais. No entanto, a resistência de setores mais conservadores, ligados à fumicultura, pode limitar seu crescimento. A candidata do Psol precisa equilibrar o discurso progressista com pautas que dialoguem com o desenvolvimento econômico local, como a sustentabilidade da produção de tabaco e o apoio a pequenos produtores.

Já a segunda vaga pode ser influenciada diretamente pelo desempenho dos candidatos na região. O perfil do eleitorado, com forte influência do agronegócio, tende a favorecer pautas liberais ou de direita, como as de Marcel van Hattem. Por outro lado, a presença histórica do MDB no Vale do Rio Pardo, com prefeitos e vereadores em diversos municípios, pode ser um trunfo para Rigotto.

Saúde, educação (com a UNISC como referência) e infraestrutura rodoviária também pesam na escolha. A Oktoberfest, principal evento da cidade, entra no radar: candidatos costumam marcar presença na festa para se aproximar do eleitorado.

Por que Manuela d'Ávila lidera? Fatores que explicam a vantagem

A liderança de Manuela não é acaso. O reconhecimento nacional e estadual construído em campanhas anteriores — incluindo a disputa presidencial de 2018 como vice de Fernando Haddad e a candidatura ao governo do RS em 2022 — a tornaram um nome conhecido. Essa familiaridade se traduz em intenções de voto.

Outro fator é a imagem fortalecida após participar de debates e movimentos de oposição ao governo federal. Num cenário de polarização, Manuela se posicionou como uma alternativa de esquerda com potencial de diálogo, o que ajuda a explicar a menor rejeição em comparação a outros nomes.

A vantagem também pode ser atribuída a uma certa fadiga do eleitorado com nomes tradicionais. Enquanto Rigotto e Pimenta representam estruturas partidárias consolidadas, Manuela aparece como renovação — mesmo tendo uma longa trajetória política.

Quais os desafios de Manuela para manter a liderança até 2026?

Manter a liderança é tão desafiador quanto conquistá-la. O principal desafio de Manuela será converter a vantagem nas pesquisas em votos consolidados na urna. Para isso, ela precisará de uma campanha forte no interior, onde a capilaridade dos adversários é maior.

A máquina partidária e o tempo de TV dos adversários são obstáculos concretos. Enquanto MDB e PT têm estruturas robustas e palanques estaduais, o Psol depende mais da mobilização de militantes e do engajamento digital. Manuela precisará manter o entusiasmo de eleitores jovens e progressistas sem perder espaço no eleitorado moderado.

Outro ponto é a gestão da rejeição. Embora a pesquisa aponte vantagem, a polarização pode unir o eleitorado contrário a ela em torno de um nome único para a segunda vaga. Isso não deve afetar a eleição direta dela, mas pode influenciar o cenário geral da chapa.

Como os eleitores de Santa Cruz do Sul podem influenciar a disputa?

O eleitor de Santa Cruz tem papel estratégico nessa eleição. Com um colégio eleitoral expressivo para o porte do estado, a cidade pode contribuir com uma fatia significativa de votos — especialmente se houver mobilização em torno de um candidato ou pauta local.

O perfil do eleitorado, com forte influência do agronegócio, favorece quem apresentar propostas claras para o setor. A fumicultura, base da economia regional, depende de políticas de apoio à agricultura familiar e de acordos comerciais internacionais. O candidato que apresentar um plano viável para o setor pode conquistar votos importantes.

A presença de lideranças locais e a cobertura da imprensa regional, como a Santa Cruz FM, também são fundamentais. Debates na cidade e entrevistas com os candidatos ajudam o eleitor a conhecer as propostas e tomar uma decisão mais consciente. Nesse contexto, é sempre bom lembrar que o cenário local também muda com decisões nacionais, como a recente liberação de remédios por aplicativos pela Anvisa, que afeta diretamente o acesso a serviços na região.

O que esperar daqui para frente? Próximos passos da corrida eleitoral

Com a divulgação desta pesquisa, o cenário fica mais claro, mas longe de definido. As próximas semanas devem ser de intensa movimentação dos partidos, com formação de alianças e definição de estratégias para o horário eleitoral.

Novas pesquisas devem ser monitoradas para verificar se a vantagem de Manuela se mantém ou se há tendência de queda. A disputa pela segunda vaga tende a se acirrar, com possíveis reviravoltas até outubro. As convenções partidárias, previstas para setembro, serão cruciais para definir o cenário final e possíveis coligações.

Para o Vale do Rio Pardo, a eleição é uma oportunidade de eleger um representante que conheça as demandas regionais. A expectativa é que os candidatos intensifiquem as visitas à região, participem de eventos locais e apresentem propostas que dialoguem com as necessidades de Santa Cruz e dos municípios vizinhos. A cidade, aliás, já tem tradição de protagonismo político — como mostra a recente homenagem à CDL pelos 60 anos de atuação, um exemplo do peso das entidades locais na vida pública.

Perguntas frequentes

Quem lidera a pesquisa para o Senado no RS? Manuela d'Ávila (Psol) lidera com 33,6% das intenções de voto, segundo pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em 21 de agosto de 2026.

Qual a margem de erro da pesquisa? A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais para mais ou para menos, com grau de confiança de 95%.

Quantas pessoas foram entrevistadas? Foram entrevistadas 1.504 pessoas em 67 municípios do Rio Grande do Sul entre os dias 18 e 20 de agosto de 2026.

Quem está empatado pela segunda vaga? Marcel van Hattem (Novo) com 26,9%, Rigotto (MDB) com 24,3% e Pimenta (PT) com 22,5% estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro.

Quem pagou a pesquisa? A pesquisa foi custeada pelo PL, com um valor de R$ 135.200. O estudo está registrado no TSE sob o número RS-03898/2026.

RS
Redação Santa Cruz FM

Santa Cruz FM — jornalismo de Santa Cruz do Sul, região e Brasil, com curadoria e revisão humana.

Leia também

Ver editoria