Turisvales: o Vale do Rio Pardo leva seus roteiros para a mesa das operadoras nesta quinta e sexta
Feira em Venâncio Aires reúne municípios e roteiros do Vale do Rio Pardo diante de agentes e operadoras nos dias 6 e 7. Veja quem participa.
Existe uma diferença que muita gente da região ainda não faz, e ela explica por que a Turisvales importa mais do que parece: uma coisa é divulgar um destino para o turista. Outra, bem diferente, é vendê-lo para quem monta pacote.
A feira que acontece nesta quinta e sexta-feira, 6 e 7 de agosto, no Parque do Chimarrão, em Venâncio Aires, é do segundo tipo. É B2B — negócio entre empresas. Do outro lado da mesa não estão famílias procurando o que fazer no fim de semana, e sim agentes de viagens, operadoras, guias e representantes do setor: exatamente as pessoas que decidem se a Rota Romântica ou um roteiro rural de Vera Cruz vão aparecer numa prateleira de vendas em Porto Alegre, em São Paulo ou no exterior.
A articulação é da Associação de Turismo da Região do Vale do Rio Pardo (Aturvarp), em parceria com a Associação dos Municípios de Turismo do Vale do Taquari (Amturvales).
Quem o Vale do Rio Pardo coloca na mesa
Na área de negócios, a região terá estandes de Candelária, Vale do Sol, Venâncio Aires e Vera Cruz — este último representado pela Associação de Turismo Rural de Vera Cruz (Aturvec).
Santa Cruz do Sul ocupa dois espaços: um institucional e outro dedicado exclusivamente ao Roteiro Cantos e Encantos Rurais.
No espaço de qualificações, a lista se amplia e desenha melhor o mapa do que a região tem a oferecer:
- Rio Pardo, com a Rio Pardo Turismo
- Herveiras, com A Cabana e o Refúgio Hakuna Matata
- Encruzilhada do Sul
- Vale Verde, com a Rota Romântica
- Pantano Grande
- Passo do Sobrado, com a Morada do Plátano
Somados, esses nomes cobrem turismo rural, gastronomia, cultura, natureza, eventos e patrimônio histórico — que é justamente a aposta da estratégia: apresentar a região como um conjunto, e não como municípios competindo entre si pelo mesmo visitante de domingo.
O que se ganha vendendo junto
A palavra que aparece nos documentos da organização é "permanência". Traduzindo: o objetivo não é aumentar o número de pessoas que passam pela região, e sim aumentar quantos dias elas ficam.
A diferença é econômica, e é grande. Um visitante que vem de manhã e volta à tarde consome combustível e talvez um almoço. O mesmo visitante, dentro de um roteiro de dois ou três dias, dorme em algum lugar, janta duas vezes, compra o que levar para casa e provavelmente entra em mais de um município. É o mesmo turista gerando um efeito multiplicado no comércio, na rede hoteleira e nos serviços.
Roteiro integrado é, no fundo, uma engenharia para transformar passeio em estadia.
Segundo o presidente da Aturvarp, Djalmar Ernani Marquardt, a participação coloca a oferta local no radar de agências e operadoras já reconhecidas no mercado. "A região chega com organização e diversidade para criar conexões com profissionais que possam transformar nossas atrações em pacotes comerciais", afirmou.
Repare no verbo: transformar em pacote. É disso que se trata.
Venâncio Aires se preparou para o depois
A cidade-sede fez uma leitura interessante: quem vem para uma feira de negócios é, ele próprio, um visitante — e um visitante particularmente influente.
Com a expectativa de receber centenas de profissionais e visitantes durante os dois dias, o município distribuiu displays com QR Code em hotéis, pousadas, cabanas, restaurantes e recepções, apontando para os atrativos locais. É uma jogada de baixo custo e retorno plausível: o agente de viagem que dorme na cidade e escaneia o código na recepção sai de lá conhecendo o destino não por catálogo, mas por experiência própria.
O contexto ajuda
A feira chega num momento em que a região já vinha dando sinais de movimento turístico fora da temporada tradicional.
Nesta semana, Santa Cruz do Sul recebe o Rancho Móvel, encontro que existe há 25 anos e reúne cerca de 80 trailers e motorhomes no Parque da Oktoberfest, com o grupo instalado no município até domingo, 9. São viajantes que ficam dias, fazem passeios, comem fora e consomem serviço local — precisamente o perfil que os roteiros integrados tentam atrair de forma sistemática.
Quer dizer: a demanda existe. O que a Turisvales tenta resolver é o outro lado — a organização da oferta, para que o interesse não dependa de o turista descobrir tudo sozinho.
Vale lembrar que o turismo de base rural e de natureza tem crescido no país como um segmento próprio, com público que planeja a viagem em torno de paisagem, produção local e experiência — o mesmo movimento que portais especializados em ecoturismo vêm acompanhando de perto nos últimos anos.
O teste vem depois da feira
Feira de negócios não gera resultado no dia. Gera contato.
O indicador real virá nos próximos meses, e é bastante simples de verificar: quantos roteiros do Vale do Rio Pardo passarão a constar efetivamente na oferta comercial de operadoras que atendem outras regiões. Se isso acontecer, os dois dias em Venâncio Aires terão valido. Se não, a região terá feito mais uma boa apresentação para um público que já a conhecia.
A infraestrutura, essa, segue sendo o pano de fundo de qualquer conversa sobre turismo regional — e as obras de duplicação da RSC-287 entre Venâncio Aires, Santa Cruz do Sul e Vera Cruz, que somam quase 30 quilômetros de novas pistas, entram nessa conta. Roteiro integrado depende de estrada que ligue os pontos com previsibilidade.
Serviço: a Turisvales acontece nos dias 6 e 7 de agosto, no Parque do Chimarrão, em Venâncio Aires. O evento é voltado ao mercado corporativo, com espaços de negócios e de qualificação profissional.