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RSC-287 terá 57 km duplicados até 2028: veja trecho por trecho o que muda no Vale do Rio Pardo

A duplicação da RSC-287 prevê 57 km de pista dupla até abril de 2028 em Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires, Vera Cruz e Candelária. Veja os prazos.

RSRedação Santa Cruz FM06 de agosto de 2026 · 5 min de leitura
RSC-287 terá 57 km duplicados até 2028: veja trecho por trecho o que muda no Vale do Rio Pardo

Quem roda pela RSC-287 entre Venâncio Aires e Vera Cruz convive há meses com bloqueio temporário, desvio e sinalização de obra. O incômodo tem prazo e tamanho definidos: o cronograma atualizado prevê 57 quilômetros de rodovia duplicada até abril de 2028, distribuídos por quatro municípios do Vale do Rio Pardo.

É a maior intervenção viária da região em décadas, e ela não trata apenas de acrescentar faixas. Uma parte relevante do pacote é reconstrução — refazer o que a enchente de maio de 2024 levou, de um jeito que aguente a próxima.

Os prazos, trecho por trecho

O cronograma escalonado distribui as entregas entre 2027 e 2028. Os principais marcos:

Santa Cruz do Sul — km 91 ao km 97

Previsão de entrega em março de 2027. É o primeiro trecho da fila e o mais próximo do perímetro urbano santa-cruzense, o que significa que os primeiros ganhos de fluidez devem aparecer justamente onde o congestionamento é mais sentido no dia a dia.

Venâncio Aires — km 78 ao km 91

Conclusão prevista para julho de 2027. São 13 quilômetros que conectam Venâncio Aires ao trecho de Santa Cruz. Quando as duas frentes se encontrarem, o corredor entre as duas cidades passa a ser duplicado de ponta a ponta.

Vera Cruz — km 105 ao km 116

Prazo de conclusão em dezembro de 2027. Onze quilômetros que estendem a duplicação para leste.

Candelária

O município também entra na programação, completando o conjunto que leva o total a 57 quilômetros até abril de 2028.

A duplicação entre Venâncio Aires e Vila Mariante teve antecipação anunciada, o que altera a ordem original de execução — vale acompanhar, porque mudanças de sequenciamento afetam diretamente quem depende do trecho.

Vila Mariante: 14 pontes secas e uma nova rótula

O projeto para o trecho de Vila Mariante merece atenção separada, porque explica boa parte do custo e do prazo.

Estão previstas 14 pontes secas — estruturas elevadas que permitem a passagem sob a pista sem cruzamento em nível — além de uma nova rótula. Não é enfeite de engenharia.

Em rodovia que corta comunidade rural, o acidente típico não acontece na reta em alta velocidade. Acontece no acesso: alguém entrando na pista vindo de uma estrada vicinal, um trator atravessando, uma travessia de pedestre onde não havia previsão de pedestre. Pontes secas e rótulas eliminam justamente esses pontos de conflito, que são os mais letais.

É também o que encarece. Duplicar reta é relativamente simples; resolver acesso, não.

A palavra que apareceu no projeto: resiliência

A segunda camada da obra é menos visível e talvez mais importante para quem viveu maio de 2024.

O programa contempla a recuperação dos trechos destruídos pelas enchentes daquele ano, e os documentos falam em mudança de traçado, elevação de pistas e construção de novas estruturas para ampliar a capacidade de escoamento da água.

A distinção importa. Refazer o asfalto onde a água passou é manutenção. Elevar a pista e redimensionar bueiro e ponte é outra coisa: é assumir que o evento vai se repetir e projetar para isso.

O Vale do Rio Pardo aprendeu essa lição do jeito caro. Quando a RSC-287 sai do ar em um episódio climático, não é só o motorista que fica preso — é o transporte de carga, é o paciente que precisa chegar ao hospital de referência, é a produção que não escoa. Rodovia estruturante é infraestrutura de emergência, mesmo quando ninguém a chama assim.

A Defesa Civil estadual, aliás, segue apontando a porção sul do Vale do Rio Pardo como área que ainda demanda atenção em seu prognóstico hidrológico. A obra e o alerta convivem no mesmo território.

O que muda para quem usa a estrada agora

Enquanto os prazos não chegam, o dia a dia continua sendo o de canteiro de obras. Alguns pontos práticos:

  • Bloqueios temporários têm sido adotados em Vera Cruz e outros trechos, geralmente com aviso prévio da concessionária. Vale conferir antes de sair, sobretudo em deslocamento com hora marcada.
  • Velocidade reduzida em área de obra não é sugestão. Zona de canteiro concentra risco por mudança súbita de traçado e presença de trabalhador na pista.
  • Horário de pico tende a piorar em trecho com pista simples provisória. Antecipar ou atrasar a saída em 20 minutos costuma render mais que qualquer atalho.
  • Rotas alternativas existem, mas nem todas comportam caminhão ou têm pavimento em condição adequada em dia de chuva.

O que observar daqui para frente

Cronograma de obra rodoviária é documento vivo. Ele já foi atualizado ao menos uma vez, com antecipação de trecho e reordenação de frentes. Três coisas costumam determinar se o prazo se mantém:

Clima. Terraplenagem e pavimentação param na chuva. Um outono ruim empurra entrega.

Desapropriação e licença. É onde obra viária costuma travar de forma menos visível, porque não aparece como paralisação — aparece como frente que não abre.

Fluxo financeiro. Ritmo de execução acompanha repasse. Vale acompanhar os aditivos e a execução orçamentária, que são públicos.

Para a região, o resultado esperado é direto: menos tempo entre as cidades do Vale, menos ultrapassagem em pista simples — que é a manobra que mata na 287 — e uma estrutura com alguma chance de resistir ao próximo evento extremo.

Até lá, o que existe é convivência com cone. Vale a pena, mas é bom saber que a conta do incômodo tem data para começar a ser paga: março de 2027, no trecho de Santa Cruz do Sul.

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