Força do tabaco eleva Santa Cruz do Sul ao 7º maior PIB do Rio Grande do Sul
Santa Cruz do Sul chega ao 7º maior PIB do RS (R$ 13,3 bi em 2023), puxada pelo tabaco: 70% do ICMS e cerca de US$ 1,8 bi em exportações. Veja os números.
Sustentada por mais de um século de industrialização do fumo, Santa Cruz do Sul deu um dos saltos econômicos mais expressivos do Rio Grande do Sul nos últimos anos. A cidade agora figura entre as mais ricas do estado. Segundo dados do IBGE, o município alcançou a 7ª posição no ranking do PIB gaúcho, com um Produto Interno Bruto de R$ 13,3 bilhões em 2023 — um crescimento de 19,72% em relação ao ano anterior. O motor dessa escalada tem nome conhecido na região: a cadeia do tabaco, que há gerações define a economia, o emprego e a renda de milhares de famílias rurais do Vale do Rio Pardo. Enquanto a economia local acelera, o clima também dá o ar da graça: o frio toma conta do Vale do Rio Pardo: Santa Cruz do Sul tem o dia mais gelado de 2026, contrastando com o calor dos negócios.
Uma escalada rápida no ranking estadual
O avanço de Santa Cruz do Sul no ranking do PIB do Rio Grande do Sul não aconteceu da noite para o dia, mas chama atenção pela velocidade. Em 2021, o município ocupava a 11ª posição entre as maiores economias do estado. Em 2022, subiu para a 8ª. Agora, com os números de 2023 divulgados pelo IBGE, chegou ao 7º lugar — três posições em apenas dois anos.
O desempenho coloca a cidade não apenas na elite econômica gaúcha, mas também no mapa nacional: Santa Cruz do Sul está entre os 160 maiores PIBs do Brasil. Para um município que não é capital nem integra a região metropolitana de Porto Alegre, trata-se de um peso econômico desproporcional ao tamanho da população — explicado quase inteiramente pela concentração industrial ligada ao beneficiamento e à exportação do tabaco.
O tabaco no centro da arrecadação
A dependência da cidade em relação ao setor fumageiro fica evidente quando se olha para a arrecadação. O tabaco é responsável por 70,18% do ICMS gerado entre as 20 maiores empresas instaladas no município, segundo levantamento divulgado pelo setor. Em outras palavras: sete de cada dez reais de imposto arrecadado entre as grandes empresas locais vêm direta ou indiretamente da industrialização do fumo.
Essa concentração tem efeito sobre tudo: o repasse de ICMS que o município recebe do estado, a capacidade de investimento da prefeitura em serviços públicos e a saúde das contas locais. É também a razão pela qual qualquer oscilação no mercado internacional do tabaco repercute imediatamente no orçamento da cidade.
Segundo maior exportador do estado
A força do tabaco aparece com clareza na balança comercial. Santa Cruz do Sul é o 2º maior exportador do Rio Grande do Sul, com cerca de US$ 1,8 bilhão em vendas externas — fica atrás apenas do município de Rio Grande. A maior parte desse volume é puxada justamente pelo tabaco processado, embarcado a partir das plantas industriais da cidade para dezenas de países.
Esse protagonismo não é isolado de Santa Cruz. No conjunto do Rio Grande do Sul, o tabaco foi, em 2024, o segundo produto mais exportado pelo estado, respondendo por cerca de 12,55% de toda a pauta de exportações gaúchas. O Brasil, por sua vez, responde anualmente por algo entre 20% e 30% de todas as exportações mundiais de tabaco — e o Sul do país é o coração dessa produção. Em paralelo, o setor agropecuário do estado também se recupera: a agropecuária gaúcha volta a crescer em 2026 e puxa retomada da economia do RS.
A renda que sustenta o campo
Por trás dos bilhões em exportação e da posição no ranking do PIB, há uma base humana ampla. A atividade fumageira é a principal fonte de renda para milhares de famílias rurais da região central do estado. Na própria Santa Cruz do Sul, a última safra envolveu 2.949 famílias produtoras e resultou em cerca de 12,6 mil toneladas de tabaco.
Quando se amplia o olhar para o Vale do Rio Pardo e o Centro-Serra, a dimensão social fica ainda mais nítida: a safra 2024/25 reuniu mais de 31 mil famílias em mais de 63 mil hectares plantados. No Rio Grande do Sul como um todo, cerca de 70 mil famílias agrícolas estão diretamente ligadas à produção de tabaco. Na escala dos três estados do Sul, dados do setor apontam que a cadeia garante renda a mais de 138 mil famílias no campo e cerca de 44 mil empregos diretos na indústria.
Para boa parte dessas famílias, a fumicultura é a atividade que viabiliza a pequena propriedade rural, gerando renda em áreas onde outras culturas teriam dificuldade de oferecer retorno equivalente. É essa base que se converte, lá na ponta, em arrecadação, exportação e posição no ranking do PIB.
Mais de 100 anos de uma vocação econômica
Conhecida nacionalmente como a "Capital Nacional do Tabaco", Santa Cruz do Sul construiu sua identidade econômica em torno do fumo há mais de um século. A industrialização do tabaco é o pilar histórico da cidade, que abriga unidades de grandes companhias do setor e fez da colheita, do beneficiamento e da exportação a espinha dorsal de sua economia. Essa tradição é celebrada anualmente: a 40ª Oktoberfest de Santa Cruz do Sul: quatro décadas da maior festa alemã do RS é um dos eventos que reforçam a identidade da região.
Essa vocação, porém, convive com desafios. O setor enfrentou em 2025 um ano marcado por barreiras tarifárias, dificuldades logísticas para exportação e o avanço de políticas antitabagistas. Mais recentemente, a queda no preço do tabaco passou a preocupar municípios do Vale do Rio Pardo, justamente por afetar a renda dos produtores e o ICMS que sustenta as contas públicas. O salto de Santa Cruz do Sul ao 7º maior PIB do estado mostra a potência de sua economia — e, ao mesmo tempo, lembra o quanto essa potência está amarrada a uma única cadeia produtiva, cujo futuro depende tanto do campo quanto do mercado internacional.
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Perguntas frequentes
Qual é o PIB de Santa Cruz do Sul? O PIB de Santa Cruz do Sul em 2023 foi de R$ 13,3 bilhões, segundo o IBGE, o que coloca a cidade na 7ª posição no ranking gaúcho.
O que mais pesa na economia de Santa Cruz do Sul? A cadeia do tabaco é o principal motor, responsável por 70,18% do ICMS gerado pelas 20 maiores empresas locais e por grande parte das exportações.
Quantas famílias vivem da fumicultura na região? Na última safra, Santa Cruz do Sul teve 2.949 famílias produtoras. No Vale do Rio Pardo e Centro-Serra, foram mais de 31 mil famílias. No Rio Grande do Sul, cerca de 70 mil famílias dependem diretamente da produção de tabaco.
Perguntas frequentes
Qual é a posição de Santa Cruz do Sul no ranking do PIB do Rio Grande do Sul?
Segundo dados do IBGE, Santa Cruz do Sul alcançou a 7ª posição no ranking do PIB gaúcho, com um PIB de R$ 13,3 bilhões em 2023 e crescimento de 19,72% em relação ao ano anterior. A cidade ocupava a 11ª posição em 2021 e a 8ª em 2022.
Por que Santa Cruz do Sul é chamada de Capital Nacional do Tabaco?
A cidade construiu sua economia em torno da industrialização do fumo há mais de 100 anos, abrigando unidades de grandes companhias do setor e tendo o beneficiamento e a exportação do tabaco como pilar histórico de sua economia.
Qual é o peso do tabaco na economia de Santa Cruz do Sul?
O tabaco responde por 70,18% do ICMS arrecadado entre as 20 maiores empresas do município. Além disso, a cidade é o 2º maior exportador do Rio Grande do Sul, com cerca de US$ 1,8 bilhão em vendas externas, puxadas principalmente pelo tabaco.
Quantas famílias dependem do tabaco na região?
Na safra recente, Santa Cruz do Sul teve 2.949 famílias produtoras. No Rio Grande do Sul, cerca de 70 mil famílias estão ligadas à fumicultura, e na região Sul do Brasil a cadeia garante renda a mais de 138 mil famílias no campo e cerca de 44 mil empregos diretos na indústria.