Santa Cruz FM
SCSanta CruzFM · Notícias
Economia

Agropecuária gaúcha volta a crescer em 2026 e puxa retomada da economia do RS

Boletim do DEE/RS mostra agropecuária gaúcha em recuperação em 2026, puxada por soja e milho, com reflexos no comércio e na agroindústria do Vale do Rio Pard…

RSRedação Santa Cruz FM15 de junho de 2026 · 4 min de leitura
Agropecuária gaúcha volta a crescer em 2026 e puxa retomada da economia do RS

Depois de anos marcados por estiagens, quebra de safra e pela tragédia das enchentes de maio de 2024, a agropecuária do Rio Grande do Sul volta a crescer em 2026. É o que aponta o Boletim de Conjuntura do Departamento de Economia e Estatística (DEE), órgão ligado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão do governo do Estado. A recuperação é puxada pela soja e pelo milho, e o reflexo tende a aparecer no caixa do comércio, na movimentação dos caminhões e nos pátios da agroindústria do Vale do Rio Pardo.

O número que sustenta o otimismo é a colheita de grãos. Segundo o levantamento, a produção de soja gaúcha deve alcançar 18,3 milhões de toneladas em 2026, volume 34,6% superior ao de 2025. O milho acompanha o movimento, com colheita projetada para crescer 21,8% no ano. Em uma economia em que o campo ainda dá o tom, números dessa magnitude funcionam como uma alavanca para o restante das atividades.

O fim de um ciclo de prejuízo

A virada faz mais sentido quando se olha o ponto de partida. O Estado passou por sucessivas frustrações de safra ligadas à falta de chuva e, em 2024, enfrentou a maior enchente de sua história, que castigou lavouras, estradas e parques industriais. O resultado foi um período de retração que cobrou caro do produtor rural e de toda a cadeia que vive dele.

Os primeiros sinais de recuperação já apareceram no fim de 2025. No quarto trimestre daquele ano, a agropecuária gaúcha registrou crescimento de 16,7% na comparação com o trimestre anterior, marcando o início do movimento de retomada. Na comparação com o mesmo período de 2024, o avanço do setor chegou a 23,4%, com ganhos de produtividade em culturas como uva, milho, arroz e também o fumo, que subiu 15,6%. O PIB do Estado fechou 2025 com alta de 0,9%, um resultado modesto que carregava, no detalhe, o germe da recuperação que se confirma agora.

RS deve liderar o crescimento no país

A recuperação do campo não fica isolada. Um estudo nacional, o relatório Resenha Regional do Banco do Brasil, projeta o Rio Grande do Sul como o Estado de maior crescimento econômico do país em 2026, com alta estimada de 4,6% no PIB. O patamar é mais que o dobro da média nacional esperada, próxima de 2%.

O principal pilar desse avanço é justamente a agropecuária, com crescimento projetado de 16,5% no Estado, muito acima da média do setor no país. A lógica é conhecida de quem acompanha a economia gaúcha: quando a safra é boa, a renda do produtor irriga o comércio, a indústria de máquinas e insumos, o transporte e os serviços. É o chamado efeito multiplicador, que transforma um ano de lavoura cheia em mais emprego e mais dinheiro circulando nas cidades do interior.

O Boletim de Conjuntura do DEE reforça essa leitura ao apontar perspectiva de crescimento do RS acima da média nacional em 2026, com a agropecuária no centro e reflexos sobre comércio, logística e indústria de transformação.

O que isso significa para o Vale do Rio Pardo

Para Santa Cruz do Sul e a região, o recado é direto. A economia do Vale do Rio Pardo está historicamente ligada ao agronegócio, com a cadeia do fumo como símbolo, mas com uma base que vai muito além dela. Soja e milho ocupam parte importante das lavouras regionais, e uma safra forte significa mais grãos para escoar, mais serviço para transportadoras e cooperativas e mais movimento nas casas agropecuárias.

A cidade também tem peso industrial. Santa Cruz do Sul é uma das maiores em estoque de empregos formais entre os municípios da região, com cerca de 51,7 mil vagas registradas, e abriga fábricas que ultrapassam o universo do fumo, como a Mercur e a Xalingo. Quando a renda do campo melhora, parte dela retorna em consumo, o que ajuda o comércio local e a prestação de serviços.

A cautela, porém, não desaparece do horizonte. O próprio boletim do DEE registra um cenário de incerteza para 2026 e pede prudência na leitura dos números. As exportações do agronegócio gaúcho movimentaram US$ 3,2 bilhões no primeiro trimestre de 2026, mas com recuos importantes em alguns complexos, incluindo soja e fumo, sinal de que o resultado positivo da safra depende também de preços e de mercado externo. Para o produtor familiar da região, que sente no bolso cada variação de cotação e de clima, a retomada é bem-vinda, mas ainda não é garantia de tranquilidade.

Uma retomada para acompanhar de perto

O quadro que se desenha para 2026 é de recuperação real, sustentada por dados oficiais e por uma safra que promete ser bem maior que a do ano anterior. A agropecuária volta a ocupar o papel de motor da economia gaúcha, e a expectativa de o Estado liderar o crescimento no país coloca o Rio Grande do Sul em uma posição que não ocupava havia tempos.

Para o Vale do Rio Pardo, o ano será de oportunidade e de atenção ao mesmo tempo. O comércio e a agroindústria devem sentir o impulso de uma colheita farta, enquanto a região acompanha de perto o comportamento dos preços e a diversificação da economia rural, sobretudo em um momento em que o fumo perde parte da participação na renda do produtor. A retomada começou. O desafio agora é fazê-la durar.

RS
Redação Santa Cruz FM

Santa Cruz FM — jornalismo de Santa Cruz do Sul, da região e do Brasil, com curadoria e revisão humana.

Perguntas frequentes

Quanto deve crescer a produção de soja do RS em 2026?

Segundo o Boletim de Conjuntura do DEE, a produção de soja gaúcha deve alcançar 18,3 milhões de toneladas em 2026, volume 34,6% superior ao registrado em 2025.

Por que a agropecuária gaúcha voltou a crescer?

A recuperação vem após um período de retração ligado a estiagens, quebras de safra e à enchente de 2024. Com clima mais favorável, soja e milho lideram a retomada, e o setor já havia crescido 16,7% no quarto trimestre de 2025.

Qual o impacto para o Vale do Rio Pardo e Santa Cruz do Sul?

Uma safra forte tende a aquecer o comércio, a logística e a agroindústria regional, que dependem da renda do campo. A região ainda acompanha de perto os preços e a participação do fumo na renda do produtor.

Leia também

Ver editoria