Agropecuária gaúcha volta a crescer em 2026 e puxa retomada da economia do RS
Boletim do DEE/RS mostra agropecuária gaúcha em recuperação em 2026, puxada por soja e milho, com reflexos no comércio e na agroindústria do Vale do Rio Pard…
Depois de anos amargando estiagens, quebra de safra e a tragédia das enchentes de maio de 2024, a agropecuária do Rio Grande do Sul volta a crescer em 2026. É o que mostra o Boletim de Conjuntura do Departamento de Economia e Estatística (DEE), ligado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão do governo do Estado. A recuperação é puxada pela soja e pelo milho. O reflexo aparece no caixa do comércio, na movimentação dos caminhões e nos pátios da agroindústria do Vale do Rio Pardo.
O número que sustenta o otimismo é a colheita de grãos. Segundo o levantamento, a produção de soja gaúcha deve chegar a 18,3 milhões de toneladas em 2026. Isso representa um salto de 34,6% em relação a 2025. O milho acompanha o movimento, com projeção de crescimento de 21,8% no ano. Numa economia onde o campo ainda dita o ritmo, números como esses funcionam como uma alavanca para o restante das atividades. A força do setor regional, por exemplo, recentemente elevou Santa Cruz do Sul ao 7º maior PIB do Rio Grande do Sul — um termômetro de como a safra mexe com tudo.
O fim de um ciclo de prejuízo
A virada fica mais clara quando se olha de onde partimos. O Estado passou por frustrações seguidas de safra por falta de chuva. Em 2024, enfrentou a maior enchente da história, que castigou lavouras, estradas e parques industriais. O resultado foi um período de retração que pesou no bolso do produtor rural e de toda a cadeia que vive dele.
Os primeiros sinais de melhora já apareceram no fim de 2025. No quarto trimestre, a agropecuária gaúcha cresceu 16,7% na comparação com o trimestre anterior, marcando o início da retomada. Na comparação com o mesmo período de 2024, o avanço do setor chegou a 23,4%. Houve ganhos de produtividade em culturas como uva, milho, arroz e também o fumo, que subiu 15,6%. O PIB do Estado fechou 2025 com alta de 0,9%. Um resultado modesto, que carregava, nos detalhes, a semente da recuperação que se confirma agora.
RS deve liderar o crescimento no país
A recuperação do campo não anda sozinha. Um estudo nacional, o relatório Resenha Regional do Banco do Brasil, projeta o Rio Grande do Sul como o estado de maior crescimento econômico do país em 2026. A alta estimada é de 4,6% no PIB. É mais que o dobro da média nacional esperada, próxima de 2%.
O principal motor desse avanço é a agropecuária, com crescimento projetado de 16,5% no Estado, muito acima da média do setor no país. A lógica é conhecida de quem acompanha a economia gaúcha: quando a safra é boa, a renda do produtor irriga o comércio, a indústria de máquinas e insumos, o transporte e os serviços. É o chamado efeito multiplicador, que transforma um ano de lavoura cheia em mais emprego e dinheiro circulando nas cidades do interior.
O Boletim de Conjuntura do DEE reforça essa leitura ao apontar perspectiva de crescimento do RS acima da média nacional em 2026, com a agropecuária no centro e reflexos sobre comércio, logística e indústria de transformação. Uma notícia que se alinha à força do setor regional, que recentemente elevou Santa Cruz do Sul ao 7º maior PIB do Rio Grande do Sul.
O que isso significa para o Vale do Rio Pardo
Para Santa Cruz do Sul e a região, o recado é direto. A economia do Vale do Rio Pardo está historicamente ligada ao agronegócio. A cadeia do fumo é o símbolo, mas a base vai muito além dela. Soja e milho ocupam parte importante das lavouras regionais. Uma safra forte significa mais grãos para escoar, mais serviço para transportadoras e cooperativas, e mais movimento nas casas agropecuárias.
A cidade também tem peso industrial. Santa Cruz do Sul é uma das maiores em estoque de empregos formais entre os municípios da região, com cerca de 51,7 mil vagas registradas. Abriga fábricas que ultrapassam o universo do fumo, como a Mercur e a Xalingo. Quando a renda do campo melhora, parte dela volta em consumo, o que ajuda o comércio local e a prestação de serviços.
A cautela, porém, não desaparece do horizonte. O próprio boletim do DEE registra um cenário de incerteza para 2026 e pede prudência na leitura dos números. As exportações do agronegócio gaúcho movimentaram US$ 3,2 bilhões no primeiro trimestre de 2026, mas com recuos importantes em alguns complexos, incluindo soja e fumo. É sinal de que o resultado positivo da safra depende também de preços e do mercado externo. Para o produtor familiar da região, que sente no bolso cada variação de cotação e de clima, a retomada é bem-vinda, mas ainda não é garantia de tranquilidade. No cenário nacional, enquanto a economia se aquece, Vini Jr. salva o Brasil no 1 a 1 com o Marrocos na estreia da Copa do Mundo de 2026 e Lula lidera as pesquisas para as Eleições 2026, mostrando que o ano é de movimento em várias frentes.
Uma retomada para acompanhar de perto
O quadro que se desenha para 2026 é de recuperação real, sustentada por dados oficiais e por uma safra que promete ser bem maior que a do ano anterior. A agropecuária volta a ocupar o papel de motor da economia gaúcha. A expectativa de o Estado liderar o crescimento no país coloca o Rio Grande do Sul em uma posição que não ocupava havia tempos.
Para o Vale do Rio Pardo, o ano será de oportunidade e de atenção ao mesmo tempo. O comércio e a agroindústria devem sentir o impulso de uma colheita farta. Enquanto isso, a região acompanha de perto o comportamento dos preços e a diversificação da economia rural, sobretudo num momento em que o fumo perde parte da participação na renda do produtor. A retomada começou. O desafio agora é fazê-la durar.
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Perguntas frequentes
O que está impulsionando o crescimento da agropecuária gaúcha em 2026?
A recuperação é puxada principalmente pela soja e pelo milho, com projeções de colheitas muito superiores às de 2025, após um período de estiagens e enchentes.
Qual a projeção de crescimento do PIB do Rio Grande do Sul em 2026?
O relatório Resenha Regional do Banco do Brasil projeta alta de 4,6%, o maior crescimento entre todos os estados do país.
Como a recuperação do campo impacta Santa Cruz do Sul e o Vale do Rio Pardo?
A região, fortemente ligada ao agronegócio, deve sentir o reflexo no comércio, nas transportadoras e na indústria local, com aumento de consumo e geração de empregos.
Quais os riscos para essa retomada?
O Boletim de Conjuntura do DEE alerta para incertezas em 2026, especialmente com a queda nas exportações de soja e fumo no primeiro trimestre, que dependem de preços e mercado externo.
Perguntas frequentes
Quanto deve crescer a produção de soja do RS em 2026?
Segundo o Boletim de Conjuntura do DEE, a produção de soja gaúcha deve alcançar 18,3 milhões de toneladas em 2026, volume 34,6% superior ao registrado em 2025.
Por que a agropecuária gaúcha voltou a crescer?
A recuperação vem após um período de retração ligado a estiagens, quebras de safra e à enchente de 2024. Com clima mais favorável, soja e milho lideram a retomada, e o setor já havia crescido 16,7% no quarto trimestre de 2025.
Qual o impacto para o Vale do Rio Pardo e Santa Cruz do Sul?
Uma safra forte tende a aquecer o comércio, a logística e a agroindústria regional, que dependem da renda do campo. A região ainda acompanha de perto os preços e a participação do fumo na renda do produtor.