Vale do Rio Pardo terá 21 candidatos ao Legislativo em outubro: quem são e o que está em jogo
Com as convenções encerradas, a região confirma 21 candidaturas: 13 à Assembleia e 8 à Câmara Federal. Veja os nomes e as chapas majoritárias do RS.
Com a realização das convenções estaduais no fim de semana, fechou-se o quadro que o eleitor do Vale do Rio Pardo vai encontrar na urna em 4 de outubro. A região terá 21 candidatos ao Legislativo: 13 disputando vagas na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e outros oito brigando por uma das 31 cadeiras gaúchas na Câmara dos Deputados.
É um número que diz algo sobre o peso político da região — e sobre a fragmentação da disputa.
Os nomes que a região colocou na disputa
MDB e PSD
O MDB confirmou no sábado o vice-governador Gabriel Souza como postulante ao Palácio Piratini. O vice de chapa foi definido pelo PSD e é o deputado Ernani Polo.
Para o Senado, a chapa leva o ex-governador Germano Rigotto (MDB) e o atual líder do governo na Assembleia, Frederico Antunes (PSD).
Da região, o deputado estadual Edivilson Brum teve o nome apresentado para buscar a reeleição, e a vice-prefeita de Venâncio Aires, Izaura Landim, concorrerá à Câmara dos Deputados.
PP
O PP anunciou a deputada Silvana Covatti como vice na chapa de Luciano Zucco (PL) ao governo do Estado, e apresentou dois nomes da região para a nominata do Legislativo estadual: Adolfo Brito, de Sobradinho, que concorre ao nono mandato consecutivo, e a vereadora santa-cruzense Nicole Weber Covatti, que tenta pela primeira vez o ingresso na Assembleia.
O presidente da legenda no Rio Grande do Sul, Covatti Filho, foi confirmado na busca pela reeleição como deputado federal.
PSDB
A convenção tucana, realizada na quinta-feira, 30 de julho, confirmou Marcelo Maranata para a chapa que concorrerá ao Piratini, tendo Cláudio Diaz, também tucano, como vice. Para o Senado, o partido apresenta Milton Cardoso (PSDB) e Renato Jaguarão (Cidadania).
Da região, integra a nominata do PSDB para a Câmara dos Deputados o suplente de vereador Altemir Thormann.
As chapas majoritárias que o gaúcho vai encontrar
Além das já citadas, o eleitor do Vale terá outras opções para o governo do Estado:
- PDT e PT já haviam anunciado a chapa com Juliana Brizola (PDT) como candidata a governadora e Edegar Preto (PT) como vice. Para o Senado, Manuela D'Ávila (PSol) e Paulo Pimenta (PT).
- O PSTU realizou convenção e participará com chapa pura: Rejane de Oliveira e Adão Lima para governadora e vice; Daniela Maidana da Silva e Regis Ethur ao Senado.
- A UP também não fez coligações, com Priscila Voigt ao Piratini e Naf Nascimento como vice; Luciano Schaffer e Tânia Peres ao Senado.
- O PCO confirmaria seus nomes nesta quarta-feira.
No plano nacional
Entre as candidaturas à Presidência que aparecem com mais destaque nas pesquisas, estão confirmadas as chapas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com Geraldo Alckmin (PSB); Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab (ambos do PSD); e Renan Santos com Aroldo Medina (Missão).
Flávio Bolsonaro (PL) foi anunciado como cabeça de chapa, mas ainda sem vice definido — mesma situação de Romeu Zema (Novo).
O que está em jogo para o Vale
Uma região com 21 candidatos ao Legislativo não é necessariamente uma região com 21 chances de representação. Na eleição proporcional gaúcha, o volume de candidatos costuma diluir votos dentro da própria base geográfica — e é comum que dois nomes fortes da mesma cidade acabem se anulando.
O Vale do Rio Pardo tem pautas que dependem diretamente de quem senta na Assembleia e em Brasília: a duplicação e a resiliência da RSC-287, com trechos previstos para entrega entre março e dezembro de 2027; a agenda da fumicultura, sempre sensível a decisões tributárias e a barreiras externas; a estrutura de saúde regional; e o financiamento das políticas votadas na Consulta Popular.
São temas que atravessam a economia da região inteira, não apenas de um município. Nas próximas semanas, quando as campanhas efetivamente começarem, vale acompanhar quais candidatos assumem compromisso explícito com esses pontos — e quais preferem discurso genérico.
Quando é a eleição
O primeiro turno está marcado para domingo, 4 de outubro de 2026. O eleitor gaúcho escolherá governador e vice, dois senadores, deputados federais e deputados estaduais, além de presidente da República.
A lista completa e oficial das candidaturas, com números e situação de registro, é publicada pela Justiça Eleitoral após o julgamento dos pedidos — é nela que o eleitor deve se basear na hora de conferir qualquer nome.
Por que o voto proporcional confunde tanto
Vale relembrar a mecânica, porque ela explica por que candidatos bem votados às vezes não se elegem — e outros com menos votos entram.
Nas eleições para deputado estadual e federal, o voto não elege diretamente a pessoa. Primeiro apura-se quantas cadeiras cada partido conquistou, somando todos os votos dados à legenda e aos seus candidatos. Só depois as vagas obtidas são distribuídas internamente, dos mais votados para os menos votados dentro daquele partido.
Daí vêm duas consequências que costumam gerar revolta no dia seguinte à eleição. A primeira: votar num candidato de um partido pequeno pode significar que o voto não se converta em cadeira, se a legenda não atingir o mínimo necessário. A segunda: um candidato pode ser o mais votado da região e ainda assim ficar de fora, se o partido dele não fez votos suficientes no conjunto do estado.
Existe ainda uma exigência de desempenho individual — o candidato precisa alcançar um percentual mínimo do quociente eleitoral para ocupar vaga. A regra foi criada justamente para evitar que puxadores de voto elegessem nomes com votação irrisória.
O peso real de uma região média
O Rio Grande do Sul elege 31 deputados federais e 55 estaduais. O Vale do Rio Pardo é uma região de porte médio no conjunto do estado — relevante, mas incapaz de eleger sozinha um nome sem diálogo com outras regiões.
É por isso que a conta de 21 candidatos merece leitura cuidadosa. Quando muitos postulantes disputam a mesma base geográfica, o efeito frequente é a fragmentação: o eleitorado regional se divide, nenhum nome acumula votação suficiente e a região acaba sub-representada — mesmo tendo comparecido em peso às urnas.
O movimento oposto também acontece. Regiões que convergem em torno de um ou dois nomes tendem a garantir representação estável e, com ela, capacidade de pressão por emenda, obra e política setorial. Não é uma questão de disciplina partidária: é aritmética.
Para o eleitor, a implicação prática é simples. Vale conhecer não só o candidato, mas o partido pelo qual ele concorre — porque, no voto proporcional, os dois andam juntos, queira o eleitor ou não.