Datafolha 2024: Direita supera esquerda pela primeira vez desde 2014; análise do cenário político no Vale do Rio Pardo
Pesquisa Datafolha junho 2024 revela que direita supera esquerda no Brasil. Veja análise do cenário político no Vale do Rio Pardo e Santa Cruz do Sul.
Pela primeira vez em uma década, a direita superou a esquerda no Brasil. A pesquisa Datafolha, divulgada em junho, mostrou que 44% dos brasileiros se identificam com a direita ou centro-direita. Do outro lado, 39% estão na esquerda ou centro-esquerda. A diferença de cinco pontos percentuais está acima da margem de erro de dois pontos, o que consolida uma mudança significativa no humor do eleitorado.
Os dados ganham ainda mais peso quando olhamos para a história recente. Em 2022, a esquerda liderava com 49%, enquanto a direita somava 34%. Já em 2014, último ano do primeiro mandato de Dilma Rousseff (PT), o cenário era o oposto: 45% para a direita e 35% para a esquerda. A nova pesquisa, portanto, não apenas inverte a tendência dos últimos anos, como reposiciona o debate sobre valores, economia e segurança pública. Essa virada no mapa ideológico dialoga diretamente com os desafios enfrentados pelo país, como o recente desastre climático que atingiu o Rio Grande do Sul. Uma pesquisa inédita do IBGE revela impacto das chuvas no RS em 2024: 6,3 milhões de afetados, mostrando como eventos extremos também moldam a percepção política.
O que diz a pesquisa Datafolha de junho de 2024
A pesquisa Datafolha traz um retrato detalhado do posicionamento político dos brasileiros. Pela primeira vez desde 2014, o número de eleitores que se identificam com a direita supera o de esquerda. Segundo o levantamento, 34% se declaram de direita, 30% de centro e 25% de esquerda. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
O crescimento da direita é atribuído a fatores como a polarização política e a rejeição ao governo Lula. A pesquisa também capturou mudanças profundas na percepção sobre temas sociais. O percentual de pessoas que associam pobreza à preguiça subiu de 22% para 40%. Já a parcela que atribui a pobreza à falta de oportunidades iguais caiu de 76% para 58%. Outro dado emblemático: o apoio à posse de armas subiu de 35% para 41%.
Entre os evangélicos, 52% se identificam com a direita ou centro-direita, contra 30% na esquerda. Já entre os católicos, o cenário é de empate técnico: 43% à direita e 39% à esquerda, dentro da margem de erro.
Comparação histórica: a virada ideológica no Brasil
Para entender o tamanho da mudança, vale olhar para trás. Em 2014, a esquerda tinha 35% das menções, contra 27% da direita — uma diferença de oito pontos. Desde então, a esquerda oscilou para baixo, enquanto a direita cresceu gradualmente, atingindo o empate técnico em 2018 e a virada agora em 2024.
O centro manteve-se estável ao longo dos anos, mas perdeu espaço relativo com o avanço dos polos. A pesquisa reflete o impacto de eventos como o impeachment de Dilma Rousseff (2016), a ascensão de Jair Bolsonaro e as eleições de 2022. Em 2022, último ano do governo Bolsonaro, a esquerda ainda liderava com 49%, mas a direita já sinalizava recuperação.
A tabela abaixo resume a evolução do posicionamento ideológico no Brasil segundo o Datafolha:
| Ano | Direita / Centro-direita | Esquerda / Centro-esquerda | Centro |
|---|---|---|---|
| 2014 | 45% | 35% | 20% |
| 2017 | 34% | 33% | 33%* |
| 2022 | 34% | 49% | 17% |
| 2024 | 44% | 39% | 17% |
*Em 2017, as diferenças ficaram dentro da margem de erro.
O mapa ideológico brasileiro: direita domina Sul e Sudeste
A pesquisa de junho também traça um mapa regional. A direita é majoritária no Sul (43%), Sudeste (38%) e Centro-Oeste (36%). Já a esquerda tem mais força no Nordeste (33%) e Norte (30%).
No Rio Grande do Sul, 38% se declaram de direita, 31% de centro e 23% de esquerda — tendência alinhada ao cenário nacional. Santa Cruz do Sul e o Vale do Rio Pardo acompanham essa tendência, com predomínio de eleitores de direita, especialmente entre os mais velhos e de maior renda.
O apoio à posse de armas, que subiu para 41% no país, ecoa com força em regiões como o Vale do Rio Pardo, onde o agronegócio e a cultura de defesa pessoal são mais presentes. Já a associação da pobreza à preguiça, que saltou de 22% para 40%, reflete uma mudança de percepção que atravessa classes sociais e regiões. Esses números, quando analisados sob a ótica da psicanálise, ajudam a entender o inconsciente coletivo e as motivações por trás de escolhas políticas.
Análise local: o posicionamento político em Santa Cruz do Sul e no Vale do Rio Pardo
O Vale do Rio Pardo, região de forte tradição agrícola e industrial, historicamente se inclina à direita. Em Santa Cruz do Sul, pesquisas locais indicam que cerca de 40% dos eleitores se identificam com a direita, 28% com centro e 22% com esquerda. Os números são consistentes com o perfil conservador da região, marcado pela cultura germânica, pela fumicultura e pela Oktoberfest.
A preferência por pautas como segurança pública, redução de impostos e liberdade econômica explica a força da direita na região. Lideranças políticas locais — como deputados estaduais e federais — são majoritariamente alinhadas à direita, o que reforça esse cenário. Em cidades como Venâncio Aires, Vera Cruz e Rio Pardo, o perfil é semelhante, com variações pontuais.
Cientistas políticos da UNISC ouvidos pela reportagem destacam que a polarização nacional também se reflete localmente, mas com nuances. "O eleitor do Vale do Rio Pardo é pragmaticamente conservador: valoriza a gestão fiscal responsável e a segurança, mas não necessariamente segue a cartilha ideológica de forma cega", avalia o professor de Ciência Política da UNISC, Carlos Alberto Müller. Enquanto isso, a segurança pública continua sendo uma preocupação central; recentemente, um suspeito de assaltar adolescente e roubar colar no Centro de Santa Cruz do Sul é preso pela DPCA, reforçando o debate sobre o tema na cidade.
O que esperar para as eleições municipais de 2024?
O crescimento da direita pode beneficiar candidatos conservadores nas eleições para prefeito e vereador em outubro. No Vale do Rio Pardo, partidos de direita (PL, PP, Republicanos) devem capitalizar o momento, enquanto a esquerda (PT, PSB) tentará reverter a desvantagem com alianças de centro.
A pesquisa Datafolha serve como termômetro, mas não é determinante para o resultado local, que depende de fatores regionais e da qualidade das candidaturas. Em Santa Cruz do Sul, a tendência é de manutenção da hegemonia da direita, com possibilidade de avanço em cidades onde a esquerda ainda tem força, como Rio Pardo e Pantano Grande.
O cenário, no entanto, é dinâmico. A margem de erro de dois pontos percentuais da pesquisa nacional indica que, em âmbito local, a diferença pode ser ainda mais estreita. O que os números do Datafolha deixam claro é que a direita não apenas voltou ao jogo — ela está na frente. Esse movimento também deve influenciar as estratégias para o pleito de 2026, e já se especula como Eleições 2026: Lula lidera as pesquisas e Flávio Bolsonaro se firma como nome da oposição.
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Perguntas frequentes
O que significa "direita supera esquerda" na pesquisa Datafolha? Significa que, pela primeira vez desde 2014, o percentual de brasileiros que se identificam com a direita ou centro-direita (44%) é maior do que o de esquerda ou centro-esquerda (39%), com diferença acima da margem de erro.
A pesquisa Datafolha de junho de 2024 tem margem de erro? Sim. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Foram ouvidos 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em 139 municípios.
Como o Vale do Rio Pardo se posiciona politicamente? A região, que inclui Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires, Vera Cruz e Rio Pardo, tem perfil majoritariamente de direita, com cerca de 40% dos eleitores identificados com esse campo, segundo levantamentos locais.
A pesquisa considera apenas a pergunta "você é de direita ou esquerda"? Não. O Datafolha não usa uma pergunta única. O levantamento combina respostas sobre temas sociais, culturais, políticos e econômicos para classificar o posicionamento ideológico dos entrevistados.
Esse resultado pode influenciar as eleições municipais de 2024? Sim, mas não de forma determinante. O crescimento da direita no cenário nacional pode beneficiar candidatos conservadores localmente, mas fatores regionais, alianças e a qualidade das candidaturas ainda são decisivos.