Pesquisa inédita do IBGE revela impacto das chuvas no RS em 2024: 6,3 milhões de afetados
Pesquisa inédita do IBGE revela que 6,3 milhões foram afetados pelas chuvas no RS em 2024. Veja os dados completos e o impacto no Vale do Rio Pardo.
O IBGE divulgou nesta terça-feira (1º de julho de 2026) os primeiros resultados da Pesquisa Peers (Pós-Evento para Avaliação de Danos e Necessidades). O levantamento é inédito e dimensiona o impacto das chuvas no RS em 2024. É a primeira vez que o instituto faz um estudo desse tipo após um desastre natural no Brasil. A pesquisa investigou 6,3 milhões de pessoas nas áreas atingidas pelas enchentes históricas de abril e maio de 2024. Para Santa Cruz do Sul e o Vale do Rio Pardo, os dados confirmam o que moradores e comerciantes já sentiam na pele: a região foi um dos epicentros da tragédia climática que mudou a geografia social e econômica do estado.
A pesquisa cobriu áreas atingidas em 133 dos 497 municípios gaúchos. Os dados pintam um cenário de destruição em massa, deslocamento populacional recorde e impactos profundos na saúde mental e na renda das famílias. Em Santa Cruz do Sul, o Rio Pardo passou da cota histórica de inundação, alagou bairros inteiros e deixou um rastro de prejuízos que ainda está sendo contabilizado. Quem viveu os dias de pânico de 2024 sabe bem o tamanho do estrago — e o inverno rigoroso que chegou em 2026, com frio intenso e geadas, só reforça como o clima virou um desafio constante na região, como mostra a Primeira semana do inverno 2026 RS: frio intenso e geadas amplas – veja os impactos em Santa Cruz do Sul.
349 mil pessoas mudaram de endereço após a enchente
Um dos dados mais impressionantes da pesquisa Peers do IBGE é o deslocamento populacional forçado. Cerca de 349,4 mil pessoas trocaram de endereço — temporária ou permanentemente — por causa das inundações. Esse número equivale a 5,5% da população total investigada de 6,3 milhões. O desastre deixou 185 mortos e 23 desaparecidos, segundo o balanço mais recente da Defesa Civil, de agosto de 2025.
O deslocamento foi massivo e atingiu todas as classes sociais. Mas a pesquisa revela uma face cruel da desigualdade: 32,6% das pessoas que se mudaram tinham renda domiciliar de até R$ 2.000. Em Santa Cruz do Sul, bairros próximos ao Rio Pardo — como Santo Inácio e parte do Centro — foram os mais castigados, com centenas de residências interditadas pela Defesa Civil. Muitas famílias ainda vivem de favor na casa de parentes ou em aluguéis temporários, esperando indenizações ou programas habitacionais.
"Estamos caminhando, talvez não da forma como esperávamos no início. Os passos são lentos. Estamos reconstruindo as coisas devagarinho", relata Fabio Scheibel, agricultor familiar da região, que perdeu parte da produção e da estrutura da propriedade.
Vale do Rio Pardo: um dos epicentros da tragédia
A região do Vale do Rio Pardo — que inclui Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires, Vera Cruz e Rio Pardo — figurou entre as áreas mais castigadas do estado. O IBGE mapeou danos generalizados em infraestrutura, habitação e serviços essenciais. Em Santa Cruz do Sul, o Rio Pardo subiu rápido e alagou vias centrais e bairros residenciais. O comércio local, incluindo lojas do centro histórico, e a indústria fumageira, principal motor econômico, registraram perdas milionárias.
- Em todo o estado, 55,5% dos domicílios tiveram danos na estrutura.
- 24,9% dos moradores (cerca de 1,6 milhão de pessoas) viviam em casas em condições piores do que antes da enchente.
- No Vale do Rio Pardo, a quebra na safra de tabaco foi drástica e comprometeu a renda de milhares de pequenos agricultores.
"A habitação continua como o principal desafio hoje", afirma Simone Cardoso, agente comunitária de saúde que atua em áreas atingidas de Cruzeiro do Sul e Roca Sales.
Santa Cruz do Sul: dados locais do impacto das chuvas
A pesquisa Peers não divulga dados municipais individualizados nesta primeira rodada, mas a metodologia do IBGE cruzou informações de 133 municípios diretamente afetados. Em Santa Cruz do Sul, estima-se que milhares de pessoas tenham sido diretamente impactadas pelas cheias, com centenas de residências danificadas.
O impacto econômico foi imediato. A infraestrutura urbana — pontes, estradas vicinais e sistemas de drenagem — sofreu danos significativos. A prefeitura local ainda trabalha na recuperação de vias e na limpeza de áreas de risco. A pesquisa também revela que a saúde mental da população foi profundamente abalada: 67,5% dos domicílios tiveram ao menos um morador com a saúde mental comprometida após o desastre.
Danos materiais e econômicos: o retrato do desastre
O IBGE estima que as chuvas causaram prejuízos significativos em todo o estado. Os setores de agricultura, pecuária e indústria foram severamente impactados. No Vale do Rio Pardo, a fumicultura — base da economia local — sofreu uma quebra histórica. Plantações inteiras foram perdidas, e galpões de secagem e armazenamento foram destruídos.
- 67,5% dos domicílios tiveram ao menos um morador com saúde mental abalada.
- 55,5% sofreram danos na estrutura da casa.
- Apenas 38,5% dos moradores conheciam medidas preventivas para futuras enchentes.
A falta de preparo é um dos pontos mais críticos levantados pela pesquisa. Menos de 40% da população sabia o que fazer em caso de nova inundação. Isso acende um alerta para os governos municipal e estadual, que precisam investir em campanhas de prevenção e em sistemas de alerta. Enquanto isso, o noticiário político também não para — as Eleições 2026: Lula lidera as pesquisas e Flávio Bolsonaro se firma como nome da oposição mostram que o país se prepara para uma nova disputa eleitoral, enquanto o RS tenta se reconstruir.
A pesquisa Peers do IBGE: metodologia inédita
A Pesquisa Peers (Pós-Evento para Avaliação de Danos e Necessidades) foi divulgada em 1º de julho de 2026, mais de dois anos após o desastre. Técnicos do IBGE visitaram domicílios e empresas em 133 dos 497 municípios gaúchos, usando questionários padronizados para quantificar afetados, desalojados e danos materiais.
É a primeira vez que o IBGE realiza uma pesquisa desse porte após um desastre natural no Brasil. O levantamento serve como base científica para políticas públicas e ajuda a direcionar recursos federais e estaduais para as áreas mais necessitadas. Os dados também são cruciais para o planejamento de longo prazo, incluindo a adaptação climática e a reconstrução de infraestrutura.
Próximos passos: reconstrução e prevenção
Os dados do IBGE serão usados pelos governos estadual e federal para direcionar recursos e planejar a reconstrução. Em Santa Cruz do Sul, a prefeitura já anunciou obras de contenção e drenagem para evitar novas tragédias. A pesquisa reforça a necessidade urgente de um plano de adaptação climática para o Vale do Rio Pardo e todo o RS. Enquanto isso, no mundo do esporte, Neymar volta a campo, mas não viaja para jogo da seleção contra Haiti: entenda os motivos e impactos, mostrando que as notícias seguem em ritmo acelerado.
O estado ainda enfrenta a ameaça de um novo El Niño, e as obras de proteção estão atrasadas. A comunidade científica e as defesas civis locais cobram ações mais rápidas. O desastre de 2024 não foi um evento isolado — ele expôs a vulnerabilidade de uma região inteira e a necessidade de um novo paradigma de ocupação urbana e rural. Como aponta a TV Copa, a cobertura dos impactos climáticos e suas consequências segue sendo prioridade na imprensa.
Perguntas frequentes
Quantas pessoas foram afetadas pelas enchentes no RS em 2024? Segundo a pesquisa Peers do IBGE, 6,3 milhões de pessoas foram investigadas nas áreas atingidas.
Quantas pessoas mudaram de endereço por causa da enchente? Cerca de 349,4 mil pessoas mudaram de endereço temporária ou permanentemente, o que representa 5,5% da população investigada.
Quantos municípios foram afetados? A pesquisa abrangeu áreas atingidas em 133 municípios, incluindo Santa Cruz do Sul e cidades do Vale do Rio Pardo.
Quantos mortos e desaparecidos o desastre deixou? O balanço mais recente, de agosto de 2025, aponta 185 mortos e 23 desaparecidos.
Qual o principal impacto na saúde mental? 67,5% dos domicílios tiveram ao menos um morador com a saúde mental abalada após o desastre.
O que é a pesquisa Peers do IBGE? É um levantamento inédito do IBGE, divulgado em 2026, que avalia danos, necessidades e o impacto socioeconômico do desastre de 2024.