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Claudete levou Santa Cruz ao Palácio dos Festivais, e o resultado sai hoje à noite

Curta da santa-cruzense Gabriela Kopp foi exibido no Palácio dos Festivais e disputa o Prêmio Assembleia Legislativa. O resultado sai domingo, às 20h.

RSRedação Santa Cruz FM16 de agosto de 2026 · 5 min de leitura
Claudete levou Santa Cruz ao Palácio dos Festivais, e o resultado sai hoje à noite

Santa Cruz do Sul subiu à tela do Palácio dos Festivais neste sábado. O curta-metragem "Claudete", escrito e dirigido pela cineasta santa-cruzense Gabriela Kopp, foi exibido dentro da Mostra Competitiva do Prêmio Assembleia Legislativa, no 54º Festival de Cinema de Gramado.

Os vencedores serão conhecidos na noite deste domingo, a partir das 20 horas, dentro da programação do festival, que ocorre entre 12 e 22 de agosto.

Um filme que nasceu de uma perda

"Claudete" não é um exercício de estilo. É um documentário poético sobre a morte, o luto e a celebração da vida, construído a partir de uma experiência pessoal da diretora: a perda da mãe, que dá nome ao filme.

A narrativa acompanha uma personagem chamada Gabriela em busca dos vestígios da mãe falecida. Ela revisita memórias afetivas e lugares que guardam o rastro daquela ausência e, sob o olhar atento da Morte, acolhe a jornada da perda para ressignificar o vínculo com a vida.

A própria diretora foi direta sobre o que o público encontraria. "Claudete é um filme triste. Às vezes a gente quer ir no cinema para ver alguma coisa divertida ou feliz. Mas ele é um filme necessário. Além de falar sobre o luto e sobre a morte, também é uma celebração de vida", afirmou no palco, pouco antes da exibição.

A dualidade entre esses dois extremos, segundo ela, foi justamente um dos aspectos mais interessantes de trabalhar na obra. Transformar a própria história em filme também significou passar a compartilhar memórias de família com um público que não as conhecia.

E havia uma espectadora imaginada naquela sessão. Perguntada sobre o que a mãe sentiria ao ver as próprias fotografias projetadas na tela do Palácio dos Festivais, Gabriela respondeu: "Acho que ela ficaria tímida por todo mundo estar vendo as fotos dela e da nossa família. Mas ela estaria bem feliz".

Filmado na região

As locações são de casa. "Claudete" foi rodado em Santa Cruz do Sul, Vera Cruz e Rio Pardo, além de Laguna, em Santa Catarina.

A obra foi contemplada pela Lei Paulo Gustavo em 2024 e concluída no início de 2026, pouco antes de ser inscrita no festival. É o primeiro trabalho de Gabriela como roteirista e diretora, depois de cerca de oito anos atuando no cinema, principalmente como assistente de direção. Ela está à frente da Madalena Filmes, produtora dedicada a projetos independentes que valorizam o protagonismo feminino no audiovisual.

A seleção, ela conta, foi surpresa. "Achei que não seria selecionada. Foi uma surpresa enorme. Quando descobri que havia sido, fiquei muito feliz e emocionada. Mas ao mesmo tempo apreensiva, porque agora esse filme tão pessoal, que ficou tanto tempo na minha cabeça, está começando a chegar às pessoas. Isso é um pouco assustador."

Sobre o processo, ela foi igualmente franca a respeito do que buscava. "Sabia que precisava processar meu luto e falar sobre isso de alguma forma. Foi no cinema que encontrei uma maneira de dar sentido a tantas coisas que eu estava sentindo durante tantos anos", relatou. O objetivo, faz questão de dizer, nunca foi entregar uma resposta pronta sobre a dor: "O filme é mais um convite à reflexão e mostra que cada pessoa encontra o seu próprio caminho".

A disputa

O Prêmio Assembleia Legislativa é a mostra competitiva tradicional dos curtas gaúchos do festival, considerada uma das principais vitrines da produção audiovisual do estado. Nesta edição, 18 produções foram selecionadas e disputam 12 categorias.

As sessões dos curtas ocorreram nos dias 15 e 16 de agosto, sempre às 13 horas, no Palácio dos Festivais. O anúncio dos vencedores fica para a noite de domingo.

O peso dessa mostra costuma ser subestimado por quem acompanha o festival de fora. Enquanto os longas concentram a atenção nacional, é na competição de curtas gaúchos que aparece o retrato mais fiel de quem está produzindo no estado agora, incluindo estreantes na direção e produtoras pequenas fora do eixo de Porto Alegre. Para muitos desses filmes, a exibição no Palácio dos Festivais é a primeira vez que a obra encontra um público grande.

Fazer cinema longe da capital

Antes da exibição, Gabriela subiu ao palco e agradeceu à equipe, que acompanhou a sessão mesmo espalhada pelo interior do estado. O discurso foi menos sobre o filme e mais sobre a condição de produzir onde ela produz.

"É um privilégio estar aqui. Fazemos cinema e resistimos no interior do Rio Grande do Sul. Não é fácil trabalhar essa arte longe das grandes capitais, é uma luta diária", disse.

O argumento dela não é apenas de resistência, é de qualidade do resultado. "Descentralizar o audiovisual gaúcho e brasileiro aumenta a riqueza cultural das obras, além de movimentar a economia regional, gerando emprego e renda para toda comunidade", avalia.

Para a cineasta, estar em Gramado também significa apresentar Santa Cruz a outros realizadores. A cidade já acumula uma trajetória no setor, com profissionais, produtoras e iniciativas voltadas ao audiovisual, e ela cita tanto as locações quanto a estrutura oferecida pelo município. Mas o que destaca primeiro são as pessoas. "Já mostramos e temos mostrado que filmar aqui é sensacional. Mas o que mais faz Santa Cruz se destacar são os profissionais que estão aqui. Somos muitos e somos bons", enfatizou.

A expectativa para os dias de festival, disse, era menos de premiação e mais de encontro. "A minha expectativa é de conversar com todo mundo, outros realizadores, conhecer pessoas e introduzir Santa Cruz para outras pessoas que estejam interessadas em fazer cinema no interior também."

Sobre o resultado desta noite, ela já havia dado a medida: estar na seleção do Prêmio Assembleia Legislativa é, para ela, a maior conquista. "Estou feliz demais só de estar fazendo parte disso."

O que vier às 20 horas é acréscimo.

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